Parte do coletivo Soylocoporti

Olhares de (apenas) uma latino-americana

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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

ermitando

minha nossa senhora dos ranzinzas incompreendidos,

livrai-me dos telefones e dos relógios.

amém.

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domingo, 14 de outubro de 2012

Lindolf Bell e O inventário

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Lindolf Bell é talvez o mais reconhecido poeta do Vale do Itajaí, lá de onde eu vim em Santa Catarina. Me espanta achar pouquíssimas de suas obras no universo online, e algumas com erros. Patético que meu acervo da adolescência tenha que servir de resgate para sua obra. Cá estou eu com uma pastinha cuja primeira página indica: “Meu poemas preferidos, poemas de minha autoria e textos da Academia de Mont Alverne” ( que era a academia de oratória do colégio em que estudei). Remonta ao ano 2000. E lá tem alguns poemas de Bell que copiei do livro do meu pai, acho que era “O código das águas”.

Aproveitei para corrigir o Poema tipo fichário de informações, que tinha copiado de alguma página online e estava errado. Meu acervinho pessoal tendo alguma utilidade… Fica a dica pra Fundação Cultural de Blumenau ou até pra Secretaria de Estado da Cultura…

De qualquer maneira, vale a leitura.

 

O inventário Leia o texto completo »

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terça-feira, 11 de setembro de 2012

inmortales

Parece una broma, pero somos inmortales.(…) Todos inmortales, viejo.

Julio Cortazar, La Flor Amarilla (conto de Final del Juego).

ieve inmortales
Imagem minha, Ieve. Porto Velho, 2007.

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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

la belleza

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Fue un poco como si también la flor me mirara, esos contactos, a veces… Usted sabe, cualquiera los sienten, eso que llaman la belleza.

pelô la belleza

Julio Cortazar, La Flor Amarilla (conto de Final del Juego).

Imagem minha, no Pelourinho. Salvador, 2009.

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sábado, 7 de julho de 2012

Subvida

Ele rolava no chão. No meio da praça, bem pelo caminho que as pessoas passam. Um péssimo lugar pra deitar. Mas ele estava ali. Virava pra um lado, virava pro outro, tentava se levantar, caía, deitava feito feto, vontade de não ser, não conseguia, virava pra um lado, virava pro outro, cabeça balançando em delírio-pesadelo.

Ele ali, a Praça movimentada – a vida, pra todos, segue. É tragédia a cada esquina, se parar em cada uma não se anda. Será que tento ajudar? Mas ele tá locão, como vou ajudar. Ele pode estar morrendo, será que eu chamo o SAMU?

O que será que ele tomou? Ele fumou pedra? O que faz ficar assim? “Deve estar há uns três dias bebendo e fumando pedra”. Qual será a história dele?

O cara pode estar morrendo, ali na frente, “mas o que podemos fazer?”. Não é? Temos nossos compromissos e não podemos carregar o mundo em nossas costas. Não é?

E se fala em solidariedade. Amor. Falta em todos nós.

A vida desumana da humanidade segue.

 

Dois homens o tiram do meio da praça e o colocam deitado num banco. Ligam pra alguém. Espero que pra unidade de saúde, não pra polícia.

E o que pega nas entranhas é a culpa, mais que a compaixão. O egoísmo fede. Às vezes parece que manter uma boa imagem de si mesmo fala mais alto ao instinto que ajudar ao próximo. Fomos condicionados ou serei assim tão mesquinha? Isso faz parte de mim e eu tenho que arrancar de dentro ou é um crosta que me impuseram? Já não faz mais diferença, é uma falsa dualidade. Como costumam ser as dualidades.

 

O que aconteceu com ele?

Tive medo de ajudar.

Denúncia explícita de uma subvida.

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Curitiba

No meu agradável bairro de mentira

o único negro é o vigia.

Aqui tem muitas árvores,

as ruas são tranquilas

- na Vila Torres, não.

 

O tiro é o grito. A pedra é o gozo.

 

Não me venha falar de mentes medianas.

Um diploma não dá sabedoria,

muito menos dignidade.

“É que nós somos a exceção”,

a ilusão da “classe esclarecida”.

Acostumados com sucrilhos no prato.

 

Se todos fossem iguais a você,

tudo seria a mesma merda.

Ou pior.

 

10 negros acorrentados por cada piá de bosta

que se crê esclarecido.

Quer ensinar aos outros como se muda o mundo,

porque “é tão simples”.

 

Senta. Ouve. Vê.

A sabedoria está em quem tem tudo pra ser fodido

mas consegue se libertar.

 

Ouvir. Dialogar.

Falar dos conflitos mais profundos

de modo que os outros possam entender.

E se ver.

 

Isso não se aprende na academia.

 

A minha cidade se diz modelo.

Modelo de segregação.

Modelo do pó-de-arroz.

Modelo da sustentabilidade de fachada.

 

Minha cidade colou sua propaganda no espelho e não consegue mais se ver.

 

Enquanto isso, na Cruz Machado.

Enquanto isso, no Guadalupe.

Enquanto isso, na Cidade Industrial.

Enquanto isso, no Uberaba.

A cara desfigurada e real de Curitiba.

 

Mas de dentro da universidade pouco se vê.

E o Pão de Açúcar se preocupa com a sustentabilidade e com você.

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Poema tipo fichário de informações

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Sou um pouco de tudo,
um pouco de nada.
Tenho asas, guelras,
terras e constelações.

Se já amei?
Mil vezes amei.
Mil vezes desamei.

Sei que ando pelas ruas
como todos andam pelas ruas.
Sei que tenho náuseas e espanto.

Sei que tenho o adeus de todos os deuses
em todos meus sonhos sonhados.
Sei que tenho óleo boiando sujo no lago da memória,
degraus cheios de pássaros mortos,
diálogos meus barrados no limiar da hora do Encontro,
cloacas envernizadas do nada mais que o social.

Oh! como dar mãos a quem não tem mãos de dar,
não me encostem à parede todas as vezes
em que venho para ficar em silêncio,
em silêncio mesmo que isto seja difícil,

deixem-me calado na dor e no amor,
deixem a alvorada levantar
com meus olhos pregados à janela,
deixem a solidão fundir-se como chumbo
ao fogo da Vida,

deixem em paz minha desordem,
meu canto rouco,
meu viver interior,
meu delírio, meu submundo,
as águas de minha incerteza constante,

deixem em paz a ferrugem de meus planos abandonados,
o quadro negro de meu existir traçado a giz,
meu nascimento nos lugares mais doidos,
minhas presenças inesperadas,

não queiram que eu chegue a um ponto determinado
(detesto pontos mesmo os mais longínquos),

não me ensinem códigos,
não me ponham sininhos no pescoço,

eu quero ter a certeza de ser livre.

 

Lindolf Bell

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terça-feira, 3 de abril de 2012

Talvez emo

tenho o sol no coração mas só costumo mostrar a face da lua.
acho que morri mesmo aquela noite que passou.

não sei porque mas choro e me emociono e nem sou emo.
se eu fosse homem talvez fosse como O Idiota.
mas sou mulher e tenho instinto de mulher e praticidade de mulher e sinto a terra sob os meus pés.
no meu ventre.

e não sei falar o que acho que deve ser dito. talvez escrever.
quase só sei chorar sozinha. e sou tímida e me sinto observada no mundo.

por fora, contemplação; por dentro, um turbilhão.
o turbilhão é a outra face da contemplação?

é impossível ser feliz sozinho?
mas no fundo no fundo não tá todo mundo sozinho?
apesar de junto?

do que todo mundo tem mais medo? da morte ou da solidão?
as duas certezas da vida.

tão sensível e tão insensível.
a sensibilidade é tão relativa.
tantas coisas desse mundo que não me comovem.
e tantas coisas talvez pequenas mas tão grandes,
tão grandes que impalpáveis – simbólicas, matizes –
que me acertam em cheio.
de dentro pra fora.

não sei fazer cara de paisagem. tudo está na cara.

insisto em supor que existo. eu sinto.
por que pra onde como pra que. não sei.
sinto e existo. e vou.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ver ou não ver

e o dia vai nascer feliz?
não estarei aqui pra ver.

talvez o amanhecer seja um milagre
e eu não vou ver.

a lua agora penetra os vales
e eu não tenho olhos de ver.

quantos cometas já passaram por mim?
não sei o que é pior: a ânsia ou a incapacidade de ver.

apaga a luz.

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

poeminha da madrugada

não busco a novidade constante,
a inovação da forma.

como alguém que eu um dia já fui,
não acredito na sorte nem no azar.

minto. na sorte eu acredito.

escrevo não porque preciso –
precisamente, o que é preciso?
escrevo porque quero,
pra em letrinhas me entender.

mas nem precisa ter porquê.

penso logo insisto, vivo logo morro.
será esse poema o meu grito de socorro?

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