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	<description>olhares sobre o cotidiano da América Latina</description>
	<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 01:57:53 +0000</pubDate>
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		<title>Viajeros - Vilarejo</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 01:55:11 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[
Sítio Arco-íris. O pôr-do-sol daqui é lindo - nuvens de algodão doce de Rondônia amareladas e rosadas. O fiel súdito vento anuncia a chuva, dando uma noção prévia do seu poder, trazendo consigo nuvens densas e promessas de vida. Ela, a Majestade, vem pelo lago - do outro lado as árvores já estão envoltas numa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1412" src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/08/internet2.jpg" alt="internet2" width="450" height="300" /></p>
<p>Sítio Arco-íris. O pôr-do-sol daqui é lindo - nuvens de algodão doce de Rondônia amareladas e rosadas. O fiel súdito vento anuncia a chuva, dando uma noção prévia do seu poder, trazendo consigo nuvens densas e promessas de vida. Ela, a Majestade, vem pelo lago - do outro lado as árvores já estão envoltas numa espécie de névoa aquática. Quando todos estão preparados para recebê-la, a chuva chega - momento de paz e quietude.</p>
<p>Porto Velho estava um saco. A paradoxal cidade amazônica onde não há árvores. Muito trabalho, pouco dinheiro. No auge do tédio, escrevi um poema-desabafo:</p>
<p><em>O tédio me envolve<br />
com paredes de azulejos brancos,<br />
conversa de novela vindo da sala de um hotel barato,<br />
vestígio de goteira,<br />
cheiro de mofo.</em></p>
<p><em>O tédio amarra meus pés e mãos na cama,<br />
hipnotiza minha cabeça para achar tudo um saco.</em></p>
<p><em>Porto velho, novo, morto e eterno.<br />
Eterno tédio que se faz vapor,<br />
calor, gotas de suor.</em></p>
<p><em>Calypso infernal amolece minhas pernas,<br />
aborta a sede do novo,<br />
me tranca num quarto com as mãos nos ouvidos.</em></p>
<p><em>O tédio me tece um ninho, me faz cafuné,<br />
minha musa, meu carrasco,<br />
meu bicho de pé.</em></p>
<p>Até que um dia, enquanto trabalhávamos, um menino veio falar conosco. O nome dele era Alan, disse que vivia num sítio e que seríamos muito bem-vindos lá. A história é a seguinte: Jackson, um cara que já foi artesão-viajante e percorreu muita estrada, sempre buscou algo, estudou várias religiões e linhas esotéricas, até que decidiu morar num sítio, primeiramente sozinho. <img class="aligncenter size-full wp-image-1413" src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/08/internet3.jpg" alt="internet3" width="265" height="400" />Depois de uns anos sua mulher, Cláudia, e seus filhos, que viviam na cidade, também foram para lá. Eles se sustentam com a cerâmica e os tapetes que produzem, e recebem quem quer que seja, é só contribuir com comida, nos afazeres e respeitar a harmonia do lugar. Também vivem lá o acreano Leandro, a argentina Veronica e Valéria, irmã de Cláudia. Há quatro ou cinco dias Valéria deu à luz a uma criança linda, o Ba&#8217;aaruda, que trouxe mais alegria e paz ao sítio.</p>
<p><em>Nasce Ba&#8217;aaruda</em></p>
<p><strong>O Santo Daime</strong></p>
<p>O pessoal do sítio freqüenta uma igreja do Santo Daime. Trata-se de uma corrente cristã que utiliza em seus rituais uma bebida elaborada a partir de plantas que altera a consciência e que, segundo Jackson, desbloqueia um mecanismo de censura do nosso cérebro. Essa bebida é conhecida no Peru e na Bolívia como ayahuasca, parte de uma tradição indígena, usada até hoje em rituais de auto-conhecimento e purificação física e espiritual. A bebida foi legalizada no Brasil depois de estudos comprovando que ela não oferece riscos à saúde.</p>
<p>&#8220;Sabe aquela sujeirinha debaixo do tapete, que só você sabe que tá lá? Vem tudo à tona&#8221;, me disse um maluco brasileiro no Peru sobre a experiência com o ayahuasca. Jackson e Alan dizem que o Daime aponta um caminho, faz compreender os processos que ocorrem na vida e leva além desse mundo físico espacial-temporal que conhecemos.</p>
<p>Ao contrário do que algumas pessoas podem pensar, a igreja do Santo Daime é bem careta - eles usam farda, uma roupa cerimonial que mais parece roupa social, e os homens têm que estar com cabelo cortado e barba feita. Nas cerimônias eles cantam os hinos, que falam de Deus, do Daime, do Mestre Irineu - o fundador do Santo Daime, entre outras coisas.</p>
<p>O Daime é a mistura de duas plantas, controladas desde o plantio até a preparação. Os fardados elaboram a bebida na cerimônia do feitio.</p>
<p><strong>Retiro espiritual</strong></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1414" src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/08/internet31.jpg" alt="internet31" width="450" height="300" /><br />
<em>Valéria nos últimos dias de gravidez</em></p>
<p>Aqui no sítio encontrei sossego, pessoas tranqüilas que trilham um caminho de aperfeiçoamento e ar puro. É um lugar lindo, repleto de árvores, às margens de um lago. O único infortúnio foi o desenvolvimento de uma doença no meu pé. Uma bactéria, o estafilocócus, se instalou em feridas de picada de insetos, creio que no fétido hotel em Porto Velho. Thiago também está infectado, mas em menor proporção. Aprendi a usar a necessidade de não poder me movimentar muito a meu favor aproveitando para ler, pensar e aprender bastante.</p>
<p>Depois de quinze dias tentando tratar minhas feridas de forma natural, o que exigia toda uma rotina diária de cuidados, me rendi à alopatia: tomei um &#8220;pics&#8221; de benzetacil no bumbum. Agora é esperar melhorar e seguir caminho - a estrada chama.</p>
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		<title>A Flor e a Náusea</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 19:13:09 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Preso à minha classe e a algumas roupas,<br />
vou de branco pela rua cinzenta.<br />
Melancolias, mercadorias espreitam-me.<br />
Devo seguir até o enjôo?<br />
Posso, sem armas, revoltar-me?</p>
<p>Olhos sujos no relógio da torre:<br />
não, o tempo não chegou de completa justiça.<br />
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.</p>
<p>O tempo pobre, o poeta pobre<br />
fundem-se no mesmo impasse.</p>
<p>Em vão me tento explicar, os muros são surdos.<br />
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.<br />
O sol consola os doentes e não os renova.<br />
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.<br />
Uma flor nasceu na rua!</p>
<p>Vomitar esse tédio sobre a cidade.<br />
Quarenta anos e nenhum problema<br />
resolvido, sequer colocado.<br />
Nenhuma carta escrita nem recebida.<br />
Todos os homens voltam para casa.<br />
Estão menos livres mas levam jornais<br />
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.</p>
<p>Crimes da terra, como perdoá-los?<br />
Tomei parte em muitos, outros escondi.<br />
Alguns achei belos, foram publicados.<br />
Crimes suaves, que ajudam a viver.<br />
Ração diária de erro, distribuída em casa.<br />
Os ferozes padeiros do mal.<br />
Os ferozes leiteiros do mal.</p>
<p>Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.<br />
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.<br />
Porém meu ódio é o melhor de mim.<br />
Com ele me salvo<br />
e dou a poucos uma esperança mínima.</p>
<p>Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.<br />
Uma flor ainda desbotada<br />
Ilude a polícia, rompe o asfalto.<br />
Façam completo silêncio, paralisem os negócios<br />
garanto que uma flor nasceu.</p>
<p>Sua cor não se percebe.<br />
Suas pétalas não se abrem.<br />
Seu nome não está nos livros.<br />
É feia. Mas é realmente uma flor.</p>
<p>Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde<br />
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.<br />
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.<br />
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.<br />
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.</p>
<p><em>Carlos Drummond de Andrade</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Aqui e ali</title>
		<link>http://miradas.soylocoporti.org.br/2010/08/12/aqui-e-ali/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 02:05:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>projetocancion</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[poesias]]></category>

		<category><![CDATA[resenhas]]></category>

		<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<category><![CDATA[reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre sinto que estou atrasada,
mas agem como se estivesse correndo demais.
Atrasada pra quê? Correndo pra onde?
Me engano fazendo de conta que controle meu destino,
que brinca comigo
- ao  menos me faz acreditar que me gosta,
que zela por mim.
Sabe aquela coisa que não dá para explicar?
É bem isso.
Sou senhora, escrava e rebelde.
Me imponho, mas ignoro o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre sinto que estou atrasada,<br />
mas agem como se estivesse correndo demais.<br />
Atrasada pra quê? Correndo pra onde?</p>
<p>Me engano fazendo de conta que controle meu destino,<br />
que brinca comigo<br />
- ao  menos me faz acreditar que me gosta,<br />
que zela por mim.</p>
<p>Sabe aquela coisa que não dá para explicar?<br />
É bem isso.<br />
Sou senhora, escrava e rebelde.<br />
Me imponho, mas ignoro o que há dentro de mim.</p>
<p>E daí? E você? Sabe quem é?<br />
Vou dançando. Cantando.<br />
Se não sei quem sou, me invento.<br />
Há coisas que ainda não é hora de abrir.</p>
<p>Me vou. Vamos?<br />
O que será que há além daqui?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Do portão da casa</title>
		<link>http://miradas.soylocoporti.org.br/2010/08/02/do-portao-da-casa/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 01:08:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>projetocancion</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Abri o portão
O coração rangeu.
Rangeu
dentro de mim
e eu sorri
como um lavrador sorri
com seu rosto de terra
e a boca rasgada de riso
diante da terra lavrada.
Abri o portão partido. Partiu-me
em dois horizontes.
Em dois gomos de um fruto fugaz.
Igual e desigual.
Abri o portão da minha casa.
E a ferrugem (ou seria orvalho?)
desatou o nó da palavra
pendurada por um fio
no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abri o portão<br />
O coração rangeu.<br />
Rangeu<br />
dentro de mim<br />
e eu sorri<br />
como um lavrador sorri<br />
com seu rosto de terra<br />
e a boca rasgada de riso<br />
diante da terra lavrada.</p>
<p>Abri o portão partido. Partiu-me<br />
em dois horizontes.<br />
Em dois gomos de um fruto fugaz.<br />
Igual e desigual.</p>
<p>Abri o portão da minha casa.<br />
E a ferrugem (ou seria orvalho?)<br />
desatou o nó da palavra<br />
pendurada por um fio<br />
no fundo da garganta.</p>
<p>Abri o portão da casa de minha infância.<br />
Mapa dobrado dentro de mim<br />
desdobrado,<br />
mapa mudo<br />
onde afundei<br />
em areia movediça<br />
palavra por palavra.</p>
<p>Abri o portão da casa.<br />
A boca do jardim, a travessia<br />
do mundo.<br />
O tempo fendeu<br />
dentro e fora de onde vim<br />
e espatifou as asas de papel<br />
que vesti em mim.</p>
<p>Manchei roupa, amor e ávidos tatos<br />
em polpa de fruto proibido.</p>
<p>Puiu-se a pele nova na vivência,<br />
no corpo dividido.<br />
Entre sonhos, frêmitos, tristuras<br />
e o real vivido.</p>
<p>Pois ainda que sonhe o tempo todo<br />
ter o tempo de encontrar a verdade<br />
em minhas mãos,<br />
nada sei de mim<br />
além de fotografias estampadas no jornal.<br />
E pouca coisa mais saberei<br />
ainda que acredite o contrário a cada instante<br />
e que meu campo de batalha comigo mesmo<br />
dure a vida inteira deste sonho<br />
como dura o sonho a vida inteira<br />
e, muitas vezes, se projete<br />
além do horizonte aberto<br />
do portão,<br />
pouco mais ou nada mais<br />
saberei.</p>
<p>A caixa vazia<br />
de um velho relógio colonial<br />
desliza sobre as águas do rio Itajaí-Açu<br />
entre a lua cheia partida<br />
e a nuvem veloz.</p>
<p>E todas estas palavras<br />
e outras tantas nem escritas nem ditas<br />
(esfacelada luz de uma estrela sem face nem foice)<br />
fazem parte da minha biografia transparente.<br />
Nada menos<br />
nada mais.</p>
<p style="text-align: right">
<p style="text-align: right"><em>Lindolf Bell</em>, <em>poeta catarinense pouco conhecido fora de suas terras, apesar de sua  densa obra. </em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Senhorinha</title>
		<link>http://miradas.soylocoporti.org.br/2010/07/16/senhorinha/</link>
		<comments>http://miradas.soylocoporti.org.br/2010/07/16/senhorinha/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 22:37:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>projetocancion</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Expedición Donde Miras]]></category>

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		<category><![CDATA[américa latina]]></category>

		<category><![CDATA[caminhada cultural]]></category>

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		<category><![CDATA[fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[

Expedición Donde Miras
Porto Feliz, janeiro de 2009.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1386" src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/07/internet3.jpg" alt="internet3" width="507" height="337" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1387" src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/07/internet4.jpg" alt="internet4" width="507" height="337" /><a href="http://expediciondondemiras.blogspot.com" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/expediciondondemiras.blogspot.com');"></a></p>
<p><a href="http://expediciondondemiras.blogspot.com" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/expediciondondemiras.blogspot.com');">Expedición Donde Miras</a></p>
<p>Porto Feliz, janeiro de 2009.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Viajeros - De volta ao Brasil</title>
		<link>http://miradas.soylocoporti.org.br/2010/06/26/viajeros-de-volta-ao-brasil/</link>
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		<pubDate>Sun, 27 Jun 2010 02:29:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>projetocancion</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[R. José Cadilhe]]></category>

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		<description><![CDATA[Feijão, farofa, água de coco. Voltar a falar e ouvir português. O jeito aberto dos brasileiros. Deixar para trás o castelhano, a riquíssima cultura andina, a deliciosa e variada culinária peruana e o desafio de estar em outro país. Mas a expectativa de conhecer um pouco do Brasil que não conheço, do qual sempre ouvi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Feijão, farofa, água de coco. Voltar a falar e ouvir português. O jeito aberto dos brasileiros. Deixar para trás o castelhano, a riquíssima cultura andina, a deliciosa e variada culinária peruana e o desafio de estar em outro país. Mas a expectativa de conhecer um pouco do Brasil que não conheço, do qual sempre ouvi falar, do qual dizem que eu faço parte; essa exploração da própria pátria me deixou ansiosa por chegar.</p>
<p><strong>Peru tropical</strong></p>
<p>De Cusco partimos para Puerto Maldonado, já na floresta amazônica. Apesar de ser a capital da região, a cidade é pequena e tranquila. Muito calor, sol, frutas e sucos. As pessoas pareciam mais receptivas, quentes, assim como o clima. Ficamos na casa de César - ele nos ofereceu abrigo sem nem nos conhecer direito. Estava vendendo artesanato no centro da cidade, quando esse rapaz veio falar comigo. Disse que não tinha dinheiro e perguntou se podia só ficar olhando. À minha afirmativa, ele foi puxando assunto e, ao saber que eu era brasileira, começou a falar de futebol. Perguntei se ele sabia onde poderíamos acampar. &#8220;Não tem problema se for num lugar simples?&#8221;, ele contestou. Claro que não tinha. A casa, assim como ele, era realmente muito simples - estrutura de madeira e banheiro de fossa no quintal. Nem precisamos armar acampamento, ele nos abrigou dentro de sua casa. Ficamos lá mais ou menos uma semana.</p>
<p>Encontramos Kae e Gina, artesãos peruanos que já havíamos cruzado em Arequipa. No último dia em Puerto Maldonado, todos vendemos surpreendentemente bem. &#8220;Quando chega uma onda de boa sorte, outra de má está vindo&#8221;, alertou Kae. O pior é que ele estava certo.</p>
<p>Chegamos até a última cidade peruana antes do Brasil pedindo carona. Muita selva, estrada de terra, cheiro de mata. E mosquitos, muitos mosquitos.  A única maneira de ir a Assis Brasil, município acreano na divisa com o Peru, é de táxi. Ao chegar, já pudemos perceber nitidamente a diferença: os traços indígenas já misturados com brancos e negros, pessoas mais altas, ruas pavimentadas e a cidade mais arrumadinha. Comemos num restaurante com buffet, coisa que não lembro de ter visto no Peru - arroz, feijão, farinha, macarrão e salada. Que delícia. Bem mais fácil negociar um prato sem carne em português.</p>
<p><strong>Acre, deveras acre</strong></p>
<p><img src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/06/04410037-1024x679.jpg" alt="04410037" width="455" height="301" class="aligncenter size-large wp-image-1376" /><br />
<em>Esperamos carona três dias num posto na saída de Rio Branco</em></p>
<p>No mesmo dia tomamos um ônibus para Rio Branco. Percebemos que do lado brasileiro a selva foi trocada pelo asfalto. Tudo devastado, transformado em pasto. No lugar de árvores, gado. E chegou a tal da onda de má sorte. Só conseguíamos dinheiro para comer e pagar o hotel. Rio Branco é bem ajeitada, muito diferente do que eu poderia imaginar, mas sem nenhum grande atrativo. Na mata o interessante não é a cidade - é a mata.</p>
<p>Conhecemos os malucos e micróbios. Nos países <em>hermanos</em> que percorremos, quem trabalha com artesanato é artesão; quando é um viajante, provoca interesse nas pessoas com sua aura lúdica e suas longínquas histórias. No Brasil não existe artesão: é maluco, micróbio ou hippie, e geralmente desperta cautela ou desprezo. A coisa aqui é bem mais marginalizada.</p>
<p>O micróbio vai com a roupa do corpo aonde for, dorme em qualquer lugar, fala o que quer na hora que quer. &#8220;Micróbio não tem medo de nada&#8221;, canta Ventania com sua voz estragada. Até agora não tivemos problema com ninguém, a convivência tem sido boa. Mas acabamos nos distanciando, trabalhando mais isolados, buscando a tranquilidade.</p>
<p>Decidimos ir para Porto Velho. Encontramos Kae novamente em Rio Branco, ele estava sozinho e decidiu ir para a estrada pedir carona com a gente. Dormimos duas noites num posto na saída da cidade - nenhum caminhoneiro queria nos levar. Conseguimos carona até um povoado uns quilômetros mais para a frente. Tivemos que dormir lá, numa escola abandonada. Nossa janta: arroz com cebola e molho de tomate cozido na latinha com álcool. Era tudo que tínhamos. No dia seguinte decidimos nos separar: carona em três seria difícil, ainda mais que os motoristas dirigiam um olhar bastante desconfiado ao peruano. Engraçado que no país mais violento da região, os estrangeiros que levam a fama de ladrão.</p>
<p>Consegui convencer um caminhoneiro a levá-lo, apesar de que iria apenas uns quilômetros mais adiante. Acho que o azar estava com ele - eu e Thiago conseguimos uma carona de cerca de 200 km logo depois. Descemos em plena estrada, prontos para mais uma maratona de espera, mas a sorte parecia voltar: o primeiro carro que passou parou ao nosso sinal e nos levou até Porto Velho.</p>
<p><em>Texto escrito em 2007, parte do livro <a href="http://miradas.soylocoporti.org.br/category/viajeros/" >Viajeros</a>.</em></p>
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		<title>quero quero quero</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 03:47:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>projetocancion</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[poesias]]></category>

		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[sim, quero mais, muito mais,
e daí?
por isso me movo, rosno, mordo
- antes a ferida aberta que o ser estagnado
por isso canto e ouço
não tenho metas, retas
somente ideais, curvas e setas
não quero me embalar em papel celofane
- me cansam as exigências do mundo
(por onde passo distraída
enquanto observam vitrines)
eu quero a sorte de um amor tranquilo
com sabor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>sim, quero mais, muito mais,<br />
e daí?</p>
<p>por isso me movo, rosno, mordo<br />
- antes a ferida aberta que o ser estagnado</p>
<p>por isso canto e ouço</p>
<p>não tenho metas, retas<br />
somente ideais, curvas e setas</p>
<p>não quero me embalar em papel celofane<br />
- me cansam as exigências do mundo<br />
(por onde passo distraída<br />
enquanto observam vitrines)</p>
<p>eu quero a sorte de um amor tranquilo<br />
com sabor de pera mordida</p>
<p>quero olhares entregues e mãos abertas<br />
sonos pesados e passos leves</p>
<p>quero a terra livre e o diálogo franco</p>
<p>quero</p>
<p>quero</p>
<p>quero</p>
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		<title>Por uma sociedade mais feminina</title>
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		<pubDate>Sun, 23 May 2010 18:59:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>projetocancion</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Textos]]></category>

		<category><![CDATA[9ª Jornada de Agroecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Michele Torinelli
de Francisco Beltrão
Seminário da Jornada de Agroecologia aborda questão de gênero 
“Resistência não significa resistir ao que é novo. Resistência é permanecer com aquilo que é do nosso bem-viver, que nos garante a liberdade de vida”. Foi assim que Luciana Piovezan, coordenadora nacional do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), iniciou o seminário de gênero, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Michele Torinelli</p>
<p>de Francisco Beltrão</strong><img src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/05/img_4504.jpg" alt="img_4504" width="465" height="305" class="aligncenter size-full wp-image-1360" /></p>
<p><em>Seminário da Jornada de Agroecologia aborda questão de gênero </em></p>
<p>“Resistência não significa resistir ao que é novo. Resistência é permanecer com aquilo que é do nosso bem-viver, que nos garante a liberdade de vida”. Foi assim que Luciana Piovezan, coordenadora nacional do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), iniciou o seminário de gênero, uma entre as mais de quarenta atividades realizadas sexta-feira (21) na 9 ª Jornada de Agroecologia.</p>
<p>A partir de exemplos históricos da resistência feminina – Juçara, indígena que sobreviveu ao massacre do povo guarani no Rio Grande do Sul em 1729, e Aqualtune, princesa e guerreira africana que foi vendida como escrava para o Brasil e participou da fundação do quilombo dos Palmares – a coordenadora fez um balanço do processo histórico do patriarcado e da repressão da mulher.</p>
<p>Luciana explicou que grande parte das mulheres é responsável pela manutenção do cotidiano, da segurança e da soberania alimentar dos lares, dando sustentação à vida produtiva da sociedade. “70% desse trabalho, não remunerado, passa pela mão das mulheres”, indica. Na época da fundação, ao discutir qual nome assumiria, o MMC concluiu que o alimento é o que conecta as mulheres desde o sul ao norte do país, seja na etapa de cultivo ou preparo. Percebeu-se assim a profunda relação feminina com a agricultura, o alimento e a manutenção da família. “Entretanto, o trabalho da mulher é invisibilizado”, alerta.</p>
<p><strong>Experiência agroecológica</strong></p>
<p>Manoela Pereira, integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e do Movimento dos Pequenos Agricultores, compartilhou sua experiência organizativa. “Há oito anos, mulheres da Via Campesina promovem um grande encontro no Dia Internacional da Mulher na região central do Paraná, de forma autônoma e itinerante”, conta Manoela.</p>
<p>Ela participa da Ceagro, escola de agroecologia e centro de desenvolvimento sustentável da região, onde mulheres atuam com plantas medicinais, produção agroecológica e comercialização de produtos. “Há necessidade de organizar cada vez mais os trabalhos e as iniciativas já presentes”, conclui.</p>
<p><strong>Solidariedade e luta</strong></p>
<p>A coordenadora do MMC apontou que a solidariedade, tão presente nas práticas femininas, é uma importante faceta do projeto de mudança social. “Ao sermos solidários, estamos indo contra um dos principais pilares do capitalismo: o individualismo”, acredita. De acordo com Luciana, o capitalismo não permite que a diversidade prevaleça – como ocorre nas práticas de monocultura – e gera a dominação, como a que se dá entre o homem e a mulher.</p>
<p>“Nós todos estarmos aqui em Francisco Beltrão, as mulheres estarem aqui, é um ato de resistência”, enfatizou Luciana. O MMC está articulado nacionalmente há cinco anos, e atua na construção de um projeto de agricultura camponesa ecológico, fundamentado na defesa da vida, na mudança das relações humanas e sociais e na conquista de direitos.</p>
<p><em>[...]</p>
<p>As mulheres organizadas<br />
De fato representam perigo<br />
Ainda mais quando o inimigo<br />
É provocador e algoz<br />
Por mais que seja feroz<br />
Elas o esmagaram à mão.</p>
<p>Qual fúria de um furacão<br />
Fizeram ouvir sua voz.<br />
O que era gigante tombou<br />
O que era valente não veio<br />
O bicho era tão feio<br />
Soltou bramidos de dor<br />
E elas mostraram que o amor<br />
À vida está acima de tudo<br />
Mostraram elas pro mundo<br />
O que se faz com o opressor!!!<br />
</em><br />
Seu moço, eu nem sabia que sabia<em>, de Isaura Isabel Conte</p>
<p>Poema inspirado na ocupação da Aracruz Celulose em 8 de março de 2006 – cerca de 2 mil mulheres da Via Campesina tomaram a fábrica com o objetivo de denunciar os estragos sociais e ambientais causados pelo monocultivo de eucaliptos. </em></p>
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		<title>Agroecologia em contraposição ao agronegócio</title>
		<link>http://miradas.soylocoporti.org.br/2010/05/20/agroecologia-em-contraposicao-ao-agronegocio/</link>
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		<pubDate>Thu, 20 May 2010 20:38:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>projetocancion</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Fotos]]></category>

		<category><![CDATA[Textos]]></category>

		<category><![CDATA[9ª Jornada de Agroecologia]]></category>

		<category><![CDATA[agroecologia]]></category>

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		<category><![CDATA[movimentos sociais]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto e imagens por Michele Torinelli
de Francisco Beltrão
Debate com Plínio de Arruda Sampaio e Letícia Silva abre o segundo dia da Jornada de Agroecologia

O primeiro painel da 9ª Jornada de Agroecologia, que acontece em Francisco Beltrão (PR), denuncia o modelo do agronegócio e apresenta a agroecologia como alternativa sustentável. Com o auditório lotado, Plínio de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Texto e imagens por Michele Torinelli</p>
<p>de Francisco Beltrão</strong></p>
<p><em>Debate com Plínio de Arruda Sampaio e Letícia Silva abre o segundo dia da Jornada de Agroecologia</em></p>
<p><img src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/05/painelepublico9c2aajornadadeagroecologiamicheletorinelli.jpg" alt="painelepublico9c2aajornadadeagroecologiamicheletorinelli" width="465" height="305" class="aligncenter size-full wp-image-1353" /></p>
<p>O primeiro painel da 9ª Jornada de Agroecologia, que acontece em Francisco Beltrão (PR), denuncia o modelo do agronegócio e apresenta a agroecologia como alternativa sustentável. Com o auditório lotado, Plínio de Arruda Sampaio, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), indica logo ao que veio: explicar como o capital atua na agricultura. Já Letícia Silva, gerente de normatização e avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), apresentou um panorama do comércio de agrotóxicos no país.</p>
<p>O capitalismo é caracterizado pela propriedade privada e pela busca do lucro. Contudo, não necessariamente o que dá lucro é o que satisfaz as necessidades da sociedade. “A gente tem que entender como o capitalista pensa. A cabeça dele funciona assim: onde eu coloco meu dinheiro para obter mais capital?”, ilustra Sampaio. </p>
<p>Na agricultura, a lógica é a mesma. O objetivo é obter lucro, e o que mais rende para o agronegócio é a exportação. “Está dando mais lucro vender para fora”, resume o presidente da ABRA. A técnica utilizada é a monocultura, que segundo o painelista, não convive bem com a pequena propriedade. A agroecologia vem justamente contrapor essa concepção. Seu objetivo é produzir alimento de qualidade, respeitando o ambiente e o próximo.</p>
<p><strong> Agronegócio: cultura de morte </strong></p>
<p>“O capital na agricultura é muito perigoso – ele precisa ser controlado”, alerta Sampaio. Os dados são alarmantes. Seis empresas controlam 80% do mercado brasileiro de agrotóxicos, o maior mercado mundial do produto. Foram comercializados mais de 790 mil toneladas de agrotóxicos no país em 2009, de acordo com o relatório da ANVISA, considerando somente o peso dos componentes (sem os produtos aos quais são agregados). “Isso dá uma média de 3 kg por habitante”, esclarece Letícia Silva.</p>
<p>Segundo a gerente da ANVISA, o capital dessas empresas transnacionais é maior que o PIB da maioria dos países da ONU – só no Brasil elas obtiveram 6,8 bilhões de dólares em 2009. Comparando com dados de 2008, o país consumiu mais que o dobro de agrotóxicos no período. “O relatório acaba com a lenda de que a liberação dos trangênicos diminuiria o uso de agrotóxicos”, contesta Letícia.</p>
<p><strong>Escoamento de veneno</strong></p>
<p>Mais do que lucrar no Brasil, empresas como Monsanto, Syngenta e Bayer enviam para cá produtos que foram proibidos nos EUA e na Europa por motivo de saúde pública. Além disso, outros agrotóxicos que já não eram mais utilizados no Brasil voltaram à circulação, pois as pragas estão cada vez mais resistentes.</p>
<p><img src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/05/leticiasilvaeplinioarrudamicheletorinelli.jpg" alt="leticiasilvaeplinioarrudamicheletorinelli" width="465" height="305" class="aligncenter size-full wp-image-1352" /><br />
<em>Letícia Silva, da Anvisa, durante sua fala. Ao lado, Plínio de Arruda Sampaio</em></p>
<p>Letícia conta que foi aprovado na União Européia o “direito à informação”, obrigando o agricultor que utiliza agrotóxicos a informar aos vizinhos a quantidade utilizada e respeitar a distância necessária para impedir a contaminação. Já no Brasil, não existe regulamentação semelhante.</p>
<p>Além de causar danos ao ser humano, os agrotóxicos são uma ameaça ao ecossistema. “O aquífero Guarani pode ser afetado e não há ninguém monitorando isso”, denuncia a gerente. “Podemos estar contaminando a maior reserva de água doce do mundo”, complementa.</p>
<p><strong>Mudança de modelo</strong></p>
<p>Ao final de sua fala, Letícia cobrou da sociedade civil que pressione o poder público , que diga “queremos que a ANVISA cuide de nossa saúde e não fique liberando veneno”. Em relação à propriedade da terra, Sampaio acredita em uma lei que restrinja o agronegócio. “É que nem um boi bravo; tem que cercar. Isso até agente poder acabar com ele”, provoca.</p>
<p>Os painelistas apontaram os dois principais pontos de uma renovação no campo: desconcentração da propriedade da terra, por meio de uma reforma agrária, e mudança no modo de cultivo, trocando a monocultura pela agroecologia. “Gente, precisamos da ajuda de vocês”, disse Letícia, convocando as 3 mil pessoas presentes. </p>
<p>“Hoje nós dependemos desse modelo. Mas num país socialista, o que vai valer é ter o povo alimentado e a natureza em equilíbrio”, acredita Sampaio. O objetivo, além da justiça entre os homens, é cultivar uma relação de integração com o meio. “A terra é nossa mãe. Dela nós viemos e para ela nós vamos voltar. A agroecologia é a sabedoria da vida”, acrescenta.</p>
<p><em>Veja mais sobre a Jornada de Agroecologia <a href="http://jornadaagroecologia.blogspot.com/" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/jornadaagroecologia.blogspot.com');">aqui</a></em></p>
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		<title>Viajeros - As ruínas de Ollantaytambo</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 15:50:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>projetocancion</dc:creator>
		
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Ollantaytambo é uma cidadezinha ainda não tão parasitada pela exploração turística. Os moradores preservam a capacidade de ver os viajantes como pessoas, não somente como alvos de bolsos cheios. As ruas e muros mantêm as estruturas de pedra originais do período incaico e pré-incaico. As construções pré-incaicas eram feitas de pedra e barro, utilizado como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1339" src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/05/internet11.jpg" alt="internet11" width="465" height="305" /></p>
<p>Ollantaytambo é uma cidadezinha ainda não tão parasitada pela exploração turística. Os moradores preservam a capacidade de ver os viajantes como pessoas, não somente como alvos de bolsos cheios. As ruas e muros mantêm as estruturas de pedra originais do período incaico e pré-incaico. As construções pré-incaicas eram feitas de pedra e barro, utilizado como rejunte. Já as incaicas utilizavam somente pedras. As ruínas rodeiam a cidade, e algumas podem ser visitadas de graça.</p>
<p>Tá, mas eu vou falar a verdade. Fomos ao celeiro incaico, no alto de uma montanha - onde não é preciso pagar entrada - e tentamos entrar sorrateiramente (mais uma vez, após o fracasso em Machu Picchu) na ruína principal da cidade. O preço era mais acessível que o de Machu Picchu, mas mesmo assim resolvemos nos lançar à sorte. Dessa vez, nada de trilhas secretas e escaladas de muro. Bastava pular um riachinho e <em>ploft</em>, lá se estava no sítio arqueológico. Fácil demais&#8230;</p>
<p><strong>Visita guiada</strong></p>
<p>O vigia percebeu que não havíamos chegado pela entrada, e nossas vestes de andarilhos nos denunciavam - brilhávamos em meio às tradicionais roupas bege dos turistas. E lá veio ele falar conosco. Thiago, que desenvolveu uma polida cara de pau durante a viagem, perguntou se não havia nenhuma maneira de resolver a situação e ofereceu vinte pesos ao sujeito. Ele não só aceitou como resolveu fazer o pagamento valer cada centavo: foi nos guiando pelas ruínas.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1340" src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/05/internet31.jpg" alt="internet31" width="465" height="305" /></p>
<p>As construções incaicas impressionam pela inteligência e funcionalidade - entretanto, sempre com um toque de mistério. As pedras, algumas enormes, eram levadas ao alto das montanhas por um sistema de rolamento e rampas. Os incaicos as cosrtavam de maneira que encaixassem perfeitamente, sendo inclusive à prova de terremotos.</p>
<p>Chegamos ao surpreendente calendário solar. No solsístio de inverno, os raios de sol, que passam primeiramente pelo &#8220;perfil do Inca&#8221; talhado na outra montanha, batem perfeitamente na marca talhada no painel de pedra, onde também está representada a trilogia sagrada da cultura incaica - o condor, o puma e a serpente. O condor representa o mundo superior, a espiritualidade; o puma corresponde ao mundo terreno; a serpente simboliza o mundo subterrâneo, o lugar dos mortos. Tudo isso soubemos por meio das histórias de nosso dedicado guia.</p>
<p>No solsístio de inverno, data apontada pelo calendário solar, é comemorado o Inti Raymi, dia do Pai Sol.  Esse dia representa o fim de um ciclo, que corresponde ao período das colheitas, e o início de outro, com a aproximação diária do Pai Sol, que retorna à Terra. É a principal festa do calendário incaico.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1341" src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/05/internet6.jpg" alt="internet6" width="465" height="305" /></p>
<p>Na hora da despedida, o guia nos apresentou a tuna, a fruta do cacto. Bateu em duas delas com um pano, para derrubar seus microscópicos espinhos, e entregou-as a mim e a Thiago. Docinha e suculenta - irônico que venha de uma planta tão árida.</p>
<p><strong>O equilíbrio entre o macro e o microcosmo</strong></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1338" src="http://miradas.soylocoporti.org.br/files/2010/05/internet3.jpg" alt="internet3" width="305" height="465" /><br />
Há muitas histórias sobre o lugar, a origem de seu nome, a invasão espanhola, mas o que mais valeu à pena foi sentir um pouco de uma sociedade de valores e costumes tão diferentes dos nossos. O código de ética dos incaicos pode ser resumido em três princípios: não mentir, não roubar e não ser preguiçoso.</p>
<p>Não creio no idealismo embasbacado: há trechos conflituosos nas histórias daqueles tempos, repletos de autoritarismo, disputas e derramamento de sangue. Mas havia uma diferença primordial: o homem e a natureza eram tidos como um e a tecnologia não obstruía o equilibrío universal.</p>
<p><em>Texto escrito em 2007, parte do livro <a href="http://miradas.soylocoporti.org.br/category/viajeros/" >Viajeros</a>.</em></p>
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