Parte do coletivo Soylocoporti

Olhares de (apenas) uma latino-americana

Arquivo do assunto ‘Ilha do Mel’

sábado, 24 de maio de 2008

Bichos da ilha

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bicho grilo

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dada a largada

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eu acho que eu vi um gatinho…

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numa relax

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quinta-feira, 8 de maio de 2008

A ilha e o progresso

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A Ilha do Mel, à primeira vista, é um paraíso. Pelo que se ouve falar, também. Tá bom, a Ilha do Mel ainda é um paraíso, um pedaçinho de céu, um presente de Deus, mas já podemos encontrar nela traços da civilização e seus problemas. A coisa está começando a feder.
Já nos primeiros dias deu para sentir um cheirinho ruim. Estava conversando com um nativo, ele falando que a ilha é muito tranqüila, comparando com a cidade, que não tem carro e que é bem melhor assim. “É, ainda bem que tem esse negócio de preservação, né?”, eu falei, como turista que vem de fora e que acha preservação um nome muito bonito. “É…é, por esse lado é bom”, ponderou ele. Esse “é…é” me deixou com a pulga atrás da orelha.
Com o tempo as peças foram se encaixando. A desculturalização da Ilha do Mel é evidente. E a falta de providências básicas que todo processo civilizatório pressupõe também.
Para obter mais informações, fui à Associção de Moradores da Ilha do Mel, situada em frente ao desembarque da praia de Encantadas. Quem me recebeu foi o senhor Neil Hamílton, que mora na ilha há dezoito anos e é o diretor responsável pelo jornal Ilha do Mel, cujo site, que contém informações turísticas e históricas, é www.ilhadomel.com. “Eu não sou jornalista, mas sempre fiz jornal, desde que eu morava em Curitiba”, justifica. Neil foi muito solícito, passou diversas informações e deu sua sincera opinião.
A ilha, que pertence ao município de Paranaguá, possui cinco povoados: Encantadas, Praia Grande, Farol, Brasília e Fortaleza, que compreendem 8% do território. Os outros 92% são área de preservação, sob responsabilidade do IAP – Instituto Ambiental do Paraná. “Eles só vêm aqui para multar”, acusa Neil. Ele conta que multaram 6 moradores em quinhentos reais cada, por não terem construído uma fossa em suas casas. Por incrível que pareça, não há tratamento de esgoto na Ilha do Mel, por isso cada casa e estabelecimento comercial deve construir sua fossa. Segundo Neil, não há educação ambiental e nem recursos para as obras. Ele escreveu uma carta ao Poder Judiciário em defesa dos moradores, para que o valor da multa fosse destinado à compra do material necessário para construir a fossa, ao invés de ir para o instituto, e que pudessem contar com a instrução de um agente do IAP. O juiz aceitou a proposta, o que para Neil foi uma vitória.
Mas há o outro lado da moeda. Em breve passará a funcionar a primeira estação de água, em Nova Brasília. E segundo Gil, paulista que há dez anos passa longas temporadas fazendo bicos na ilha, o IAP distribuiu o material necessário para a construção das fossas.
A grande cisma de Neil com o IAP faz sentido. Ele diz que a orientação vem de Curitiba, alheia aos interesses dos moradores, e que a instituição é centralizada – tudo depende da decisão do presidente. E o pior, que a taxa de 3 reais cobrada por visitante fica com o IAP e acaba não chegando na ilha. “O prefeito de Paranaguá é adversário político do Requião, por isso só entra dinheiro aqui em ano eleitoral”, aponta Neil, que afirma que não há planejamento por parte do governo porque a Ilha do Mel não é uma prioridade geo-econômica. “É o capitalismo, não adianta”, resigna-se Neil.
Ele diz que se sente de mãos atadas, que não há coletivismo na ilha. Não se pensa no futuro, mas cada um em si mesmo – principalmente os comerciantes, que vieram quase todos de fora, e só se preocupam em ganhar dinheiro.
Neil acaba seu depoimento num pedido de desculpas pela sua franqueza. Mas era exatamente isso que eu queria: um retrato sincero da ilha, de alguém que vive ali e está informado dos processos políticos da região, por mais parcial que fosse. A versão oficial não costuma ser franca: se defende com números manejados e põe a culpa de suas debilidades na oposição. Prefiro a versão de quem conhece os problemas do cotidiano de onde vive.

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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Book Pingüina

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Pingüina estava sempre no hostel onde eu trabalhava, escolhia um amigo turista, ganhava comida e dormia em frente à porta de seu quarto. Esse dia eu e o Thiago a encontramos em Brasília. Passou a noite ao lado de nossa barraca e voltou conosco no dia seguinte, pela trilha, até Encantadas. Merece um book (as três primeiras fotos são minhas, a última, do Thiago).

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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Histórias fantásticas da Ilha do Mel

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 Histórias fantásticas da Ilha do Mel
Fui à gruta e não encontrei as sereias, só o Peter Pan e seus amiguinhos

Nenê, nativo da ilha de 50 anos, me contou algumas histórias de antigamente. Sua vó era parteira, portanto acumulava grande parte do conhecimento da medicina popular. Ela morreu com mais de cem anos, estava lúcida e ainda trabalhava a terra. “Ela era desse tamanhinho, parecia uma criança, tinha os cabelos bem branquinhos e usava um chapéu de palha”, lembra Nenê. Ela lhe contou diversas histórias do tempo da carochinha. “Nessa época não tinha quase ninguém na ilha; hoje você anda por essas trilhas, sempre tem alguém por perto”, conta, “antes não, se andava sozinho por esses caminhos”.
A vó contava que viu as sereias na gruta das Encantadas. Diz a lenda que as sereias entoavam seu belo canto; os marinheiros que ouvissem perdiam o rumo de suas embarcações e se espatifavam na rocha. Segundo Nenê, sua mãe também viu a sereia, e outras pessoas na ilha afirmam ter visto esses seres fantásticos.
Outra história contada pela vó de Nenê é a de José Ricardo, que conhecia como ninguém a natureza da região. Quando alguém era picado por uma cobra, mandavam chamá-lo. José Ricardo dava três assobios e todas as cobras que estavam por perto apareciam à sua frente; ele apontava a malvada que deu a picada, mas sem matá-la. Benzia o ferimento, tirando o veneno, e a vítima sarava.
Se essas histórias são mesmo verdade, só quem viu pode falar. Hoje não existe mais nada disso. José Ricardo morreu e agora tem posto de saúde, ninguém precisa mais conhecer a natureza. As sereias devem ter sido levadas para algum circo em Hong Kong, onde fazem estripulias num aquário gigante.

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sexta-feira, 2 de maio de 2008

No limbo

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 No limbo

A Ilha do Mel é um lugar de paz, muito verde e cara de vila de pescadores. Há duas horas e meia de ônibus e trinta minutos de barco de Curitiba, via Pontal do Paraná, a ilha é um refúgio para pessoas de todo mundo, lugar de esquecer os problemas do cotidiano urbano e se reconciliar com a natureza.
A população da Ilha do Mel segue a típica mistura brasileira: nativos indígenas, escravos de origem africana e brasileiros em geral, em sua maioria mistura de portugueses, índios e negros. “Na época do descobrimento, o litoral do Paraná, particularmente as margens da Baía de Paranaguá, eram habitadas pelos carijós, indígenas do grupo étnico tupi-guarani. Os cronistas referem-se aos carijós como indios de índole afável, pouco belicosos e de boa razão. Sustentavam-se de caça e pesca, bem como de lavouras. As casas eram bem cobertas e tapadas com cascas de árvore por causa do frio do inverno.”*
Os escravos eram trazidos para a Ilha das Peças, localizada entre a Ilha do Mel e Superagüi, por isso o seu nome: as peças eram os escravos. Outros brasileiros em geral se fixaram na ilha depois de trabalharem na construção da Fortaleza de Nossa Senhora do Prazeres, iniciada em 1763 e concluída em 1769, quando o Brasil ainda era Vice-Reinado de Portugal. O objetivo da fortaleza era combater a pirataria e defender o litoral paranaense de possíveis ataques. Dizem que seus canhões só atiraram uma única vez e erraram. Em 1870, durante o império de Dom Pedro II, foi construído o Farol das Conchas, o que trouxe mais moradores.

 No limbo
A fortaleza

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O Farol das Conchas

 No limbo

Conversando com o nativo Nenê, fiquei sabendo de histórias que não estão nas revistas de turismo. Ele me contou que antigamente a ilha era como uma fazenda; havia bois, cavalos, e cada família tinha seu pedaçinho de roça no morro que delimita a praia das Encantadas e a praia do Belo, hoje tomado pela mata nativa. Atualmente a guarda florestal não permite o desmatamento, o que tem o ótimo resultado de preservar as matas, porém interferiu no cotidiano e na cultura do caiçara, o nativo da ilha.
Mesmo sendo protegida, o avanço da civilização não poupou a Ilha do Mel. Há algumas décadas atrás a população se auto-sustentava, plantando seus alimentos, criando seus animais, pescando e produzindo para seu próprio sustento. Atualmente, com a política de preservação, tudo que é consumido na ilha vem de Paranaguá ou Pontal, o que torna produtos básicos como frutas, pão e legumes bastante acima do preço de mercado.
A população aqui vive no limbo: não são mais nativos, seus hábitos e seus conhecimentos ancestrais se perderam, com excessão da pesca; por outro lado, não têm os conhecimentos que a civilização oferece. Muitos são analfabetos e não sabem lidar com tecnologia. Vivem do turismo, como barqueiros, carregadores; alugam seus quartos para turistas. Os que vieram de fora, com dinheiro, construíram restaurantes, lojas, bares e pousadas.
A tradição do fandango, que consiste em música e dança tradicional do litoral do Paraná e sul de São Paulo, não deixou nem vestígios na Ilha do Mel. A música, onde a rabeca, instrumento de corda artesanal, se destaca, é marcada pela dança e pelos sons de sapato de madeira que dão a batida da música. A festa é regada a muita cataia, bebida típica da região. Hoje não se vê mais rabeca, sapato de madeira, nem cataia. Só ficou o dissimulado e justificado ressentimento do nativo com quem vem de fora.

* www.ilhadomel.com/historico

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terça-feira, 22 de abril de 2008

Sinta-se em casa

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Bem-vindo ao Campo de Mi. Esse blog é uma maneira de compartir o que tenho produzido em foto e texto – histórias da Ilha do Mel, reflexões e fotos em geral e as histórias da viagem pela América do Sul reeditadas.
Sinta-se em casa!

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terça-feira, 22 de abril de 2008

Troca-troca na Ilha do Mel

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Ele trocou uma TV por um terreno na Ilha do Mel. Não acredita? É sério! E nem faz tanto tempo assim. Foi em 1993. Então senta, que lá vem história…

Pedrinho vivia em Londrina e desde os 18 anos freqüentava a ilha esporadicamente. Segundo ele, aquilo lá era só mato. Na orla da praia das Encantadas, que hoje é polvilhada por restaurantes, barzinhos e pousadas, tinha um restaurante aqui, um quiosque ali e só. A namorada ia junto. O tempo passou, ele casou, teve filhos… e se separou. Então ele fez sua trouxinha: pegou roupas, TV, colchão, martelo, serrote e foi, decidido a passar um bom tempo na ilha. “E eu nem sabia pegar num martelo”, confessa Pedrinho. Chegou para seu amigo Carlos, que era dono de uma lanchonete e hoje tem um restaurante, e pediu para ficar num quartinho. “Beleza”, disse o Carlos, “é só pagar a conta de luz”.
E ele ficou, estendeu o colchão, instalou a antena e sossegou. Uns dias depois aparece o Carlos: “Ô Pedrinho, meu cunhado tá querendo uma televisão; cê não faz negócio com ele?”. “Manda ele vir”, disse o Pedrinho. O sujeito queria trocar um terreninho pela TV. O Pedrinho, que não é bobo nem nada, aceitou. Ele já tinha o terreno. Agora faltava a casa.
Pedrinho foi para Maringá, onde seu irmão morava. Trabalhou um mês por lá e juntou 350 reais. “Nessa ilha não tinha como juntar dinheiro”, ele conta. Voltou e por 150 reais comprou uma casinha velha. Segundo ele, só os primeiros 30 centímetros de madeira estavam meio podres. Teve que aprender a usar o serrote e o martelo. Tirou todas as tábuas certinho, numeradas, serrou a parte velha da madeira, e montou outra casa igualzinha, só trocou as madeiras de sustentação do tellhado. “Ficou bonitinha, toda pintada, com as janelinhas brancas”, se gaba Pedrinho.
Um belo dia apareceu um cara que gostou da casinha. “Três mil e quinhentos e negócio fechado”, ofereceu Pedrinho. E se deu bem. Mas ele não parou por aí. Com mil e quinhentos comprou uma outra casa, a qual reformou, e lá montou uma pousadinha. Até que surgiu outro interessado. Esse tinha uma casa grande, também na ilha, que precisava de uma reforma que custaria sete mil. Propôs dar os sete mil da reforma e trocar de casa com o Pedrinho. E, mais uma vez, ele aceitou. Reformou a casa e um tempo depois apareceu mais um interessado. Dessa vez ele pediu setenta mil mais os três mil do corretor. E esse foi o derradeiro trato.
Com essa grana Pedrinho comprou uma casa, um carro e saiu viajando durante um ano por esse Brasil. Realizou seu velho sonho de cair na estrada e gastou tudo que podia. Até que resolveu parar. Vendeu o carro, voltou para a ilha e montou um camping em sua casa. Hoje ele tem cinqüenta anos e acaba de voltar de uma viagem de um mês por Argentina e Chile. Já planeja a volta.
Essa é a história de Pedrinho, que nasceu com o tal virado para a lua e tem muito tutano na cabeça.

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terça-feira, 22 de abril de 2008

O Sol

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terça-feira, 22 de abril de 2008

Pega, Rex!

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