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Olhares de (apenas) uma latino-americana

terça-feira, 22 de abril de 2008

Troca-troca na Ilha do Mel

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Ele trocou uma TV por um terreno na Ilha do Mel. Não acredita? É sério! E nem faz tanto tempo assim. Foi em 1993. Então senta, que lá vem história…

Pedrinho vivia em Londrina e desde os 18 anos freqüentava a ilha esporadicamente. Segundo ele, aquilo lá era só mato. Na orla da praia das Encantadas, que hoje é polvilhada por restaurantes, barzinhos e pousadas, tinha um restaurante aqui, um quiosque ali e só. A namorada ia junto. O tempo passou, ele casou, teve filhos… e se separou. Então ele fez sua trouxinha: pegou roupas, TV, colchão, martelo, serrote e foi, decidido a passar um bom tempo na ilha. “E eu nem sabia pegar num martelo”, confessa Pedrinho. Chegou para seu amigo Carlos, que era dono de uma lanchonete e hoje tem um restaurante, e pediu para ficar num quartinho. “Beleza”, disse o Carlos, “é só pagar a conta de luz”.
E ele ficou, estendeu o colchão, instalou a antena e sossegou. Uns dias depois aparece o Carlos: “Ô Pedrinho, meu cunhado tá querendo uma televisão; cê não faz negócio com ele?”. “Manda ele vir”, disse o Pedrinho. O sujeito queria trocar um terreninho pela TV. O Pedrinho, que não é bobo nem nada, aceitou. Ele já tinha o terreno. Agora faltava a casa.
Pedrinho foi para Maringá, onde seu irmão morava. Trabalhou um mês por lá e juntou 350 reais. “Nessa ilha não tinha como juntar dinheiro”, ele conta. Voltou e por 150 reais comprou uma casinha velha. Segundo ele, só os primeiros 30 centímetros de madeira estavam meio podres. Teve que aprender a usar o serrote e o martelo. Tirou todas as tábuas certinho, numeradas, serrou a parte velha da madeira, e montou outra casa igualzinha, só trocou as madeiras de sustentação do tellhado. “Ficou bonitinha, toda pintada, com as janelinhas brancas”, se gaba Pedrinho.
Um belo dia apareceu um cara que gostou da casinha. “Três mil e quinhentos e negócio fechado”, ofereceu Pedrinho. E se deu bem. Mas ele não parou por aí. Com mil e quinhentos comprou uma outra casa, a qual reformou, e lá montou uma pousadinha. Até que surgiu outro interessado. Esse tinha uma casa grande, também na ilha, que precisava de uma reforma que custaria sete mil. Propôs dar os sete mil da reforma e trocar de casa com o Pedrinho. E, mais uma vez, ele aceitou. Reformou a casa e um tempo depois apareceu mais um interessado. Dessa vez ele pediu setenta mil mais os três mil do corretor. E esse foi o derradeiro trato.
Com essa grana Pedrinho comprou uma casa, um carro e saiu viajando durante um ano por esse Brasil. Realizou seu velho sonho de cair na estrada e gastou tudo que podia. Até que resolveu parar. Vendeu o carro, voltou para a ilha e montou um camping em sua casa. Hoje ele tem cinqüenta anos e acaba de voltar de uma viagem de um mês por Argentina e Chile. Já planeja a volta.
Essa é a história de Pedrinho, que nasceu com o tal virado para a lua e tem muito tutano na cabeça.

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2 comentários em “Troca-troca na Ilha do Mel”
  1. Vou oferecer meu mp3 pro meu vizinho. a mi fica encarregada de vir me visitar quando eu tiver beirando os 50. :P
    muito bom, mi! :)

  2. Boa sorte monteiro, mas me chama um pouco antes, quando for a hora de sair viajando por esse mundo. Pô, fui eu q dei a idéia, né ;)

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