Minha Terra

Repousa os pés na estrada
a cada passada
o nosso descanso é cruzar fronteiras

Minha terra tem palmeiras
mas eu nunca vi
tem palmares, tem quilombos
xavante, tupi

Minha terra tem aldeias
mas eu nunca vi
onde o vento é quem semeia
o alimento guarani

Minha terra tem lugares
que eu nunca fui
densas matas, tenros vales
onde a água flui

Minha terra tem estradas
minha terra tem estribos

Sou índio da cidade
desertor de minha tribo
ser urbano jogado no mundo
ser mundano perdido na urbe
um sulamericano perdido
que não quer ser mais um no cardume

Sou vagalume, sou vagalume
vejam minha luz!

Essa terra tem mil deuses
um deles que me conduz
essa terra tem canções
essa terra tem cantigas
mas o ouro dos brasões
veio abrir nossas feridas

Essa terra é muito antiga
essa terra é muito antiga

Repousa os pés na estrada
a cada passada
o nosso descanso
embalado pelo canto
em qualquer canto
desbravando os brasis
se as veias estão abertas
seremos a cicatriz

Poema de Marcus Vinicius (http://versosevasos.blogspot.com), o Mascote da Expedición Donde Miras – Caminhada Cultural pela América Latina (www.expediciondondemiras.blogspot.com).

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2 Responses to “Minha Terra”

  1. Nél Marques disse:

    O seu trabalho é maravilhoso meus parabens

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