Parte do coletivo Soylocoporti

Olhares de (apenas) uma latino-americana

terça-feira, 3 de abril de 2012

Talvez emo

tenho o sol no coração mas só costumo mostrar a face da lua.
acho que morri mesmo aquela noite que passou.

não sei porque mas choro e me emociono e nem sou emo.
se eu fosse homem talvez fosse como O Idiota.
mas sou mulher e tenho instinto de mulher e praticidade de mulher e sinto a terra sob os meus pés.
no meu ventre.

e não sei falar o que acho que deve ser dito. talvez escrever.
quase só sei chorar sozinha. e sou tímida e me sinto observada no mundo.

por fora, contemplação; por dentro, um turbilhão.
o turbilhão é a outra face da contemplação?

é impossível ser feliz sozinho?
mas no fundo no fundo não tá todo mundo sozinho?
apesar de junto?

do que todo mundo tem mais medo? da morte ou da solidão?
as duas certezas da vida.

tão sensível e tão insensível.
a sensibilidade é tão relativa.
tantas coisas desse mundo que não me comovem.
e tantas coisas talvez pequenas mas tão grandes,
tão grandes que impalpáveis – simbólicas, matizes –
que me acertam em cheio.
de dentro pra fora.

não sei fazer cara de paisagem. tudo está na cara.

insisto em supor que existo. eu sinto.
por que pra onde como pra que. não sei.
sinto e existo. e vou.

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4 comentários em “Talvez emo”
  1. adorei,
    me identifiquei
    quase chorei.

  2. vai ver que talvez vc seja emo tbm

  3. lindo, mi!
    que orgulho.

  4. brigada badu bonita!

    como vc citou (e me incitou a te mandar o link desse poema):

    ‎”Muito embora a entidade humana passe a maior parte do tempo na casa dos relacionamentos (porque, se esse universo é sustentado pela luxúria e pelo apego, é claro que a casa dos relacionamentos é onde a alma passa mais tempo); por mais importante que seja o trabalho em grupo; por mais que o sangha seja uma das jóias sagradas (porque um dá força para o outro), a travessia é individual. E é natural que, em determinado momento, você comece a se recolher. Algumas pessoas precisam dessa solidão justamente porque a jornada é para dentro. Você vai para fora de vez em quando, para respirar um pouco, mas a jornada é interna.”

    Sri Prem Baba

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