Parte do coletivo Soylocoporti

Olhares de (apenas) uma latino-americana

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Filmes do <3

1. La danza de la realidad (Jodorowsky, 2013)

Entendam porque me apaixonei por esse senhorzinho doido assistindo à apresentação que ele próprio fez desse filme – nu como veio ao mundo no auge de seus 70 e tantos anos. Porque cinema é poesia <3

https://www.youtube.com/watch?v=rtrd1FewUFA

 

2. 2001: uma odisseia no espaço (Kubrick, 1968).

A 1a vez que eu vi esse filme, pra uma prova de história do cinema, eu dormi no meio do balé espacial (e é muito muito raro eu dormir em filmes). A segunda vez eu não entendi porcaria nenhuma: que que é esse monolito, esse bebê enorme no final – essa maluquice toda, meldels? Ao expressar minha ignorância no saudoso CACOS, o Augusto me explicou a magnitude do filme e o quão profundo era, o que me fez assistir de novo e de novo e novo e me apaixonar cada vez mais a cada vez que eu o vejo. Considerado por muitos o filme mais fodido de todos os tempos.

Entenda o nível da maluquice e da genialidade: https://www.youtube.com/watch?v=YbLRzabppus.

 

3. Hair (Milos Forman, 1979)

É um musical que fala do movimento hippie e contracultural nos EUA durante a guerra do Vietnã. As músicas são ótimas, tem muitas cenas divertidas e a curiosidade é que ele foi censurado no Brasil na época de seu lançamento devido à caretice da ditadura  – o que é uma amostra que, de fato, questionar os valores vigentes pode ser deveras subversivo. O filme começa assim, sente o groove: https://www.youtube.com/watch?v=EhbxI5eVnM4 (o papel que eles queimam é a convocatória do exército, e a negação dos jovens de ir à guerra foi um grande ato de desobediência civil).

Mas acho que minha cena favorita é essa: dançando na mesa do status quo. https://www.youtube.com/watch?v=-1LRD3DtFAo.

 

4. I’m not there (Todd Haynes, 2007)

É uma espécie de biografia ficcional do Bob Dylan contada por meio de 7 personagens, que representam fases da vida do artista ou aspectos marcantes do seu imaginário. Fala de um certo desencaixe, da fama, da questão racial, do folclore dos EUA, das belezas e armadilhas do amor e até da fase gospel do Dylan. Além do mais, é um filme lindo de morrer, como se fossem 7 filmes diferentes entramados em um. A trilha sonora é incrível e conta com várias novas versões para os sons do Bob e algumas originais.

Esse é um dos ~clipes~ que permeiam o filme: https://www.youtube.com/watch?v=zYgZUoaIhxA.

 

5. Waking Life (Richard Linklater, 2001)

Uma animação linda, que foi feita num processo bem inovador, baseada em filmagens. Ou seja, a parada foi primeiro rodada como um filme qualquer e depois transformada em animação. São sonhos dentro de sonhos dentro de sonhos dentro de sonhos – afinal, o que é sonho e o que é realidade? Várias discussões interessantíssimas e maluquíssimas rolam ao longo do filme, e a trilha sonora também é bem legal.

Dá uma olhada no making off de 4 min: https://www.youtube.com/watch?v=9J0MlkmtXyY.

 

6. O cheiro do ralo (Heitor Dhalia, 2006)

É um filme feito na raça, pois achar patrocínio pra um filme com esse nome não foi muito fácil, que conta com uma atuação memorável de Selton Mello. Baseado num livro sensacional do Lourenço Mutarelli, o filme fala da podridão humana, do desfacelamento das relações sociais, da solidão urbana, da coisificação da vida -  tudo isso de uma maneira criativa e deveras engraçada.

Taí o filme completo: https://www.youtube.com/watch?v=qpmkQe4RSPs.

 

7. Gaviões e passarinhos (Pasolini, 1966)

É um clássico do cinema italiano, cuja trilha ficou por conta do consagradíssimo Ennio Morricone, que trata da longa jornada da humanidade sob uma perspectiva política de esquerda – sim, o sujeito era engajado – num período de crise da esquerda na Itália. Ele usa a metáfora dos gaviões e passarinhos para falar da luta de classes, mas o faz em clima de fábula, com uma leveza difícil de alcançar quando o assunto é política.

Além de contar com os melhores créditos iniciais de todos os tempos: https://www.youtube.com/watch?v=G8d-m7tnfz8.

 

8. Edukators (Hans Weingartner, 2003)

Sobre terrorismo poético alemão. O protagonista é esse ator alemão que tá em todas, até no filme do Tarantino, e é ótimo. Alias, “Adeus, Lênin”, que tbm é com ele, é outro filmasso. E essa música linda, além de constar na trilha desse filme, tbm está em “O senhor das armas”, outro que samba na cara da sociedade: https://www.youtube.com/watch?v=x2yldoAQtZ0.

 

9. Into the Wild (Sean Penn, 2007)

Já assisti esse filme várias vezes e só agora fui saber que foi dirigido pelo Sean Penn! Além de ótimo ator, ahazô como diretor!

O filme é lindo e baseado na história real de Christopher McCandless, que largou tudo, tudo mesmo, pra ir desbravar a vida para além do roteiro programado para um jovem de classe média nos EUA. Mas ele acabou morrendo nessa ânsia de se desvencilhar de qualquer vínculo social, isolado no meio do Alaska. A partir de seu diário, Jon Krakauer escreveu um livro que, por sua vez, inspirou o filme. A trilha sonora é do Eddie Vedder e ornou bem, ó https://www.youtube.com/watch?v=32Js2Ef5Ojg.

 

10. Un buda (Diego Rafecas, 2005)

Assisti esse filme quando eu tava terminando minha viagem sabática de 1 ano pela América do Sul. Além de fazer todo sentido no momento (e ainda hoje…), é ambientado em alguns lugares pelos quais passei e até tem um cara que eu conheci em Buenas Aires fazendo um extra no filme – um dos muitos budistas carequinhas. A trama também tá relacionada com as terríveis tretas da ditadura argentina – os pais do protagonista foram levados quando ele e seu irmão eram pequenos.

Dá uma olhada no trailer: https://www.youtube.com/watch?v=AOFQEFZG3aE

 

11. Dançando no escuro (Lars von Trier, 2000)

Um filme seco – apesar de ser um musical, sem muitas frescuras cinematográficas, mas super denso – como é do estilo do Lars von Trier. A louquíssima e fofíssima protagonista é a Bjork, que canta, dança e representa, acompanhada pela sempre diva Catherine Deneuve. Em meio a uma vida super dura, a personagem interpretada por Bjork tem devaneios lúdicos e musicais. Mas é triste pacas e o  final é de morrer de chorar.

Essa é das minhas cenas favoritas: https://www.youtube.com/watch?v=62pLY5zFTtc

 

12. Viver a vida (Godard,1966)

Vocês repararam que não tem nenhuma mulher diretora nessa lista? E que na grande maioria dos filmes, além de serem os diretores, os homens também são os protagonistas? Pois é. O cinema é uma meio extremamente machista numa sociedade machista. Esse filme fala de uma linda jovem francesa, cuja beleza parece ser tudo o que os outros conseguem ver nela, de prostituição e de machismo. Um filme profundo e visualmente lindo, com uns movimentos de câmera bem bacanas e revolucionários pra época.

Essa é uma das minhas cenas preferidas – me apaixonei por essa música e por essa mulé: https://www.youtube.com/watch?v=wQIWmfgCoGI

E essa me conquistou pelo debate filosófico: https://www.youtube.com/watch?v=pmVHKqOA8C4 “Por que é preciso falar sempre?”

 

Isso é tudo, pessoal.

 

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