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Olhares de (apenas) uma latino-americana

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domingo, 23 de dezembro de 2012

Libertália: lutar até a morte

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“Que fazer quando o sistema, em seu conjunto – financeiro, econômico, político e ecológico – dá evidentes sinais que não funciona? Seguir tolerando mentiras para viver cinicamente a vidinha confortável e supostamente segura? Ou será possível ousar?¨

Pirataria,  anarquismo, Matrix, Indignados, tudo no mesmo balaio. É desses mosaicos de utopias que se faz a mudança. Comecei a ler o Copyfight – Pirataria & Cultura Livre, um livro feito colaborativamente e distribuído de forma livre (acessando o link você pode baixar ou ler online),  e chego a esse artigo que muito traduz dos anseios e das conexões que têm sacudido o mundo:

“Pirata significa também que está ‘fora do lugar’. Identifica os que se opõem à sociedade em suas práticas sociais, especialmente no campo da cultura, da arte, da política e da informação.

Os piratas digitais hoje desafiam o sistema como no passado quando eram o maior obstáculo ao capitalismo mercante-escravagista. Usam os meios que dispõem para desferir golpes no sistema. E se misturam à massa de descontentes anônimos, como faziam os do passado, que contavam com informações e apoio do povo da costa. Essa é a dualidade dos piratas: são o ‘mal’ do sistema, ao mesmo tempo em que sua redenção.”

Avante, marujos!

 

—————————- Sonho Pirata ou Realidade 2.0? —————————-

Artigo de Jorge Machado que integra o recém-lançado livro Copyfight – Pirataria & Cultura Livre.

 

1. O sonho

No final do Século XVII, quando o capitão Misson e o ex-padre dominicano Caraciolli acompanhados por centenas de piratas decidiram se estabelecer na costa ocidental de Madagascar, as primeiras medidas que tomaram foram renunciar suas nacionalidades, abolir a propriedade privada e acabar com a circulação de dinheiro – os recursos passaram a ser reunidos em um fundo comum. »Surgia Libertália«. Não se sabe se foi uma comunidade, uma aldeia ou mesmo uma mera utopia. Sua fama circulou pelos oceanos, de barco a barco, de costa a costa pelas bocas do povo do mar, do povo da areia e do povo da floresta.

Localizada em um paraíso tropical e habitada por gente amiga, Libertália era também perfeita por estar próxima às principais rotas marítimas. Para Daniel Dafoe* (1724), testemunha da “era de ouro da pirataria”, Libertália foi a maior expressão da Utopia pirata por uma terra livre. Onde embarcações sem bandeira podiam atracar, rincão onde pobres, escravos libertos, indígenas e perseguidos viviam em paz. Lá não havia lugar de privilégios de nobreza, inquisição religiosa, exploração colonial ou comerciantes de escravos. Era o único local onde se ostentava em terra firme a bandeira preto e branca, conhecida como “jolly roger” – cuja origem vem do francês jolie rouge (“bela vermelha”). Seu uso significava a disposição de uma embarcação lutar até a morte. Leia o texto completo »

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