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Olhares de (apenas) uma latino-americana

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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Semana de cultura americana – 06 a 12/10

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Nesta semana Curitiba se vê mais latina, por debaixo da grossa camada de pó europeu. A 1ª Semana Americana de Solidariedade com os Povos – Homenagem aos Poetas da América começou na terça e termina com festa no feriado. Na programação estão palestras, exposições, música, oficinas de teatro, mosaico, apresentação de danças típicas de povos da América e exibição de filmes.

Entre os convidados especiais estão Thiago de Mello, Aleida Guevara e Leonardo Boff.

PROGRAMA:

SEMANA AMERICANA DE SOLIEDARIDADE COM OS POVOS – HOMENAGEM AOS POETAS DA AMÉRICA

06 DE OUTUBRO:
- 14 h – BIBLIOTECA PÚBLICA – Abertura da exposição de cartazes sobre cinema e apresentação de filmes com debate. Filme: “El fraude” (México). Apresentador: Jorge Hernández
- 18:30 h – CANAL DA MÚSICA – ABERTURA OFICIAL,com coquetel e programação a seguir:
* Lançamento da exposição de mosaicos: “Poetas da América”, por Javier Guerrero e equipe;
* Lançamento do livro com fotografias dos retratos em mosaico e suas biografias, assim como um poema de cada um deles, em versão bilíngüe (português/ espanhol). Os textos biográficos serão de Pedro Carrano com tradução para o espanhol por Fátima Caballero. Os quadros em mosaico serão fotografados por Elisandro Dalcin.
* Mesa redonda, com os poetas THIAGO DE MELLO e o ROBERTO FERNÁNDEZ RETAMAR (presidente da Casa das Américas de Cuba) – Tema: “A poesia na resistência dos povos e como expressão da solidariedade”
* Leitura dramática do poema Estatutos do Homem de Thiago de Mello a ser realizada pelos grupos de teatro Nuspartus e Atormente.
* Apresentações de dança cubana.

• 07 DE OUTUBRO:
- Das 09 às 12 h – CENTRO CHE – Oficina de mosaico, com Javier Guerrero (vagas limitadas – informações: Centro Che f: 3024-0611);
- Das 14 às 17 h – CENTRO CHE – Oficina de teatro, com o cubano Atílio Caballero (vagas limitadas – informações: Centro Che f: 3024-0611);
- 14 h – BIBLIOTECA PÚBLICA – Apresentação de documentários chilenos. Apresentadora: Ximena.
- 18:30 h – CANAL DA MÚSICA
* Mesa redonda, com JANICE THIEL (PUC-PR), REGINA M. PRZYBYCIEN (UFPR) e MARIA LÚCIA MILLÉO MARTINS (UFSC) – Tema: “A solidariedade dos povos dos EUA e do Canadá, expressa através da obra poética.”
* Dramatização poética, com o ator LUIZ REIKDAL

• 08 DE OUTUBRO:
- Das 09 às 12 h – CENTRO CHE – Oficina de mosaico, com Javier Guerrero;
- 13 h – BOCA MALDITA – Ato Público em memória a Che Guevara;
- Das 14 às 17 h – CENTRO CHE – Oficina de teatro, com o cubano Atílio Caballero;
- 14 h – BIBLIOTECA PÚBLICA – Apresentação do filme “Che”. Apresentadora: Rosa Rorbira.
- 18:30 h – CANAL DA MÚSICA
* Mesa redonda, com ALEIDA GUEVARA, TADEU VENERI (Dep.Estadual) e ROBERTO BAGGIO (MST) – Tema: “Homenagem a Che Guevara”.
* Grande Show Musical em homenagem a Che Guevara, com:
- VICENTE FELIÚ (Cuba)
- DANTE RAMON LEDESMA (Argentina)
- Grupo VIENTO SUR (Curitiba)

• 09 DE OUTUBRO:
- Das 14 às 17 h – CENTRO CHE – Oficina de teatro, com o cubano Atílio Caballero;
- 14 h – BIBLIOTECA PÚBLICA – Apresentação de um documentário sobre torturados em Curitiba durante a ditadura. Apresentador: a definir.
- 18:30 h – CANAL DA MÚSICA
* Palestra, com CLÁUDIO RIBEIRO (Advogado) – Tema: “A poética da luta armada nos anos 60”.
* Apresentações de Danças – Paraguaia e Peruana

• 10 DE OUTUBRO:
- 15 h – CANAL DA MÚSICA
* 1ª Mesa redonda, com CARLOS TREJO SOSA (cônsul de Cuba), RENATO SIMÕES (PT) e representantes dos consulados da Bolívia, Equador e Venezuela – Tema: “A política solidária entre os povos americanos”.
- 17 h – CANAL DA MÚSICA – Apresentação de Dança.
- 17:30 h – CANAL DA MÚSICA
* 2ª Mesa redonda, com LEONARDO BOFF (teólogo), RAIMUNDO CARUSO e MARILÉA LEAL CARUSO (escritores) – Tema: “A Identidade Solidária da América”.
- 20 h – AUDITÓRIO DO MUSEU OSCAR NIEMEYER – Apresentação de teatro: “La octava puerta” pelo grupo El Caballero (Cuba).
- 22 hs – CALAMENGAU (Soc. Vasco da Gama) – FESTA DA SOLIDARIEDADE, com a banda El Merecumbê.

• 11 DE OUTUBRO:
- Das 09 às 12 h – CANAL DA MÚSICA – Seminário com 3 mesas temáticas:
* MESA 1 – “A irmandade entre os povos e a contribuição à solidariedade”, coordenado pelo grupo de estudantes cubanos que vivem no Brasil.
* MESA 2 – “Situação política e econômica latino-americana”, coordenada por Roberta Traspadini (Consulta Popular).
* MESA 3 – “O papel da cultura na libertação dos povos”, coordenada por EVELAINE MARINES (Via Campesina)
- Das 14 às 15:30 – CANAL DA MÚSICA – continuidade ao seminário.
- 16:30 h – CANAL DA MÚSICA – PLENÁRIA de conclusão do seminário, com as conclusões das 3 mesas de trabalho.

• 12 DE OUTUBRO:
- A partir das 09 h – BOSQUE SÃO CRISTÓVÃO (Sta. Felicidade) – 7ª Festa Latino-Americana, promovida pela Pastoral do Imigrante e pela AILAC (Associação de Latinos em Curitiba)
* 09 h – Missa
* 12 h – Degustação de comidas típicas
* 14 h – Apresentação de danças e conjuntos musicais

Organizadores do evento:
Associação cultural José Martí PR- Cuba
Centro de Estudos Che Guevara
Grupo OLLA – Ousadia e Liberdade Latino-americana
AILAC – Associação de Latinos em Curitiba
Pastoral do Imigrante.
Via Campesina
Biblioteca Pública do Estado do Paraná

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Estratégias para Produção Simbólica e Diversidade Cultural

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Deliberações do Grupo de Discussão do Eixo I – Produção Simbólica e Diversidade Cultural da II Conferência Municipal de Cultura de Curitiba.

ESTRATÉGIAS DE ÂMBITO NACIONAL

1 – Estabelecer políticas federais de cultura que criem ferramentas para a participação da sociedade por meio de conferências realizadas com as comunidades, nas quais serão eleitos os conselhos específicos formados por representantes das diversas áreas culturais, para garantir espaço para as especificidades artísticas e regionais nas etapas de concepção, desenvolvimento e aplicação de políticas de cultura, para que a diversidade de linguagens artísticas e atividades culturais sejam fomentadas e contempladas com editais públicos e destinação de dotação orçamentária.

2 – Estabelecer políticas federais de cultura que desenvolvam programas de formação para comunicação, permitindo que todo cidadão se aproprie de sua condição de agente político e cultural, tendo em vista que é através dos meios de comunicação que se difundem as concepções e manifestações culturais, viabilizando a capacitação da população para atuação em rádios e TVs públicas e comunitárias e demais meios, contribuindo para a democratização dos meios de comunicação por meio da livre expressão da diversidade cultural.

ESTRATÉGIAS DE ÂMBITO ESTADUAL

1 – Que as políticas estaduais de cultura criem ferramentas para a participação da sociedade por meio de conferências comunitárias nas quais serão eleitos os conselhos específicos formados por representantes das diversas áreas culturais para garantir as especificidades artísticas, regionais e geográficas nas etapas de concepção, desenvolvimento e aplicação de políticas de cultura, para que a diversidade de linguagens artísticas e atividades culturais sejam fomentadas e contempladas com editais públicos e destinação de dotação orçamentária.

2 – Estabelecer políticas estaduais de cultura que ampliem a articulação com as políticas estaduais de educação, oferecendo editais integrados para entidades culturais que trabalhem com a temática da arte e educação e/ou desenvolvam programas de formação para comunicação, permitindo que todo cidadão se aproprie de sua condição de agente político e cultural, garantindo a afirmação e divulgação da diversidade cultural da comunidade.

ESTRATÉGIAS DE ÂMBITO MUNICIPAL A SEREM ENCAMINHADAS AO MINISTÉRIO DA CULTURA

1 – Que haja ampliação das políticas públicas municipais através da descentralização da cultura do eixo central, geográfico e financeiro da cidade por meio de ações permanentes, criando centros de cultura nos bairros, abertos à comunidade, que tenham a função de identificar, mapear, pesquisar e incentivar a formação político-cultural dos cidadãos, assim como a capacitação para elaboração de projetos subsidiados pelas Leis de Incentivo à cultura, ampliando as ações de afirmação voltadas à diversidade cultural e valorizando a cultura popular e os setores periféricos historicamente excluídos.

2 – Que as políticas municipais de cultura reconheçam a comunicação como essencial para a difusão da produção simbólica e reconhecimento da diversidade cultural, expandindo seus veículos de comunicação (a exemplo de seu guia cultural, site na internet, murais nos mobiliários urbanos, como também futuros veículos que possam vir a ser criados), utilizando os princípios do softwares livres, Creative Commons e copyleft, garantindo a divulgação da produção cultural da comunidade.

ESTRATÉGIAS DE ÂMBITO MUNICIPAL A SEREM ENCAMINHADAS À FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA

1 – Estabelecer políticas federais de cultura que criem ferramentas para a participação da sociedade por meio de conferências realizadas com as comunidades, nas quais serão eleitos os conselhos específicos formados por representantes das diversas áreas culturais, para garantir espaço para as especificidades artísticas e regionais nas etapas de concepção, desenvolvimento e aplicação de políticas de cultura, para que a diversidade de linguagens artísticas e atividades culturais sejam fomentadas e contempladas com editais públicos e destinação de dotação orçamentária.

2 – Estabelecer políticas municipais de cultura que ampliem a articulação com as políticas estaduais de educação, oferecendo editais integrados para entidades culturais que trabalhem com a temática da arte e educação e/ou desenvolvam programas de formação para comunicação, permitindo que todo cidadão se aproprie de sua condição de agente político e cultural, garantindo a afirmação e divulgação da diversidade cultural da comunidade.

3 – Estabelecer políticas municipais de cultura que desenvolvam programas de formação para comunicação, permitindo que todo cidadão se aproprie de sua condição de agente político e cultural, tendo em vista que é através dos meios de comunicação que se difundem as concepções e manifestações culturais, viabilizando a capacitação da população para atuação em rádios e TVs públicas e comunitárias e demais meios, contribuindo para a democratização dos meios de comunicação por meio da livre expressão da diversidade cultural.

Saiba mais sobre a II Conferência Municipal de Cultura aqui.

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quinta-feira, 16 de julho de 2009

19º Festival de Antonina

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Apesar das dificuldades financeiras que quase o impossibilitaram, o 19º Festival de Inverno da UFPR cumpre seu papel de movimentar a cultura do estado. O evento iniciou no domingo, 12 de julho, e vai até o próximo sábado, dia 17. Diversas oficinas foram ofertadas, contemplando mais de 800 vagas. A cidade vira cenário para diversos espetáculos, oficiais ou espontâneos.

Uma das oficinas é o Jornal Caranguejo, que chega à sua 11ª edição com uma nova proposta: ao invés de contemplar somente estudantes de jornalismo, em 2009 a oficina abrange todos os interessados, estudantes da área ou não. Veja o editorial do jornal.

Mais informações sobre o Festival aqui.

cartaz festival de inverno 1 19º Festival de Antonina

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terça-feira, 30 de junho de 2009

Kundun Balê: resistência, sincretismo e resgate

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O espetáculo “Encanto das Três Raças”, resultado do trabalho cultural desenvolvido na comunidade quilombola Paiol de Telha, é exemplo de como a arte pode contribuir para emancipar povos e construir identidades.

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Camiseta do Kundun Balê - tranças e guias.

Sexta-feira, 19 de junho, 06h30 da manhã. Atrás da catedral da Praça Tiradentes, sentada em cima da minha mochila, comia um salgado que comprei numa lanchonete chinesa, um dos poucos estabelecimentos abertos a essas horas – todos chineses. Eu havia recebido um convite para assistir à estréia do Encanto das três raças e passar o fim de semana no Paiol de Telha, em Guarapuava.

Lendo o email-convite, enviado para a lista de associados do Soylocoporti, me perguntei: “mas será que eu entro nessa história que nem sei qual é?”. Nessas horas sempre me lembro que várias vezes me fiz essa pergunta, geralmente cedi e nunca me arrependi, pelo contrário, agradeci à vida por me ter dado coragem de vencer o medo e ter ousado ver o novo. E lá estava eu, sozinha, antes do dia nascer, esperando um ônibus de desconhecidos para viver um pouco mais da cultura do meu país, por tanto tempo esquecida, abandonada, e pior, discriminada e até criminalizada.

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Mandorová, Assema e Kundun Balê se unem para formar o espetáculo.

Foi então que surgiu um homem que perguntou se eu era a menina que iria com eles. Era Marco Boeing, de quem o Amarelo, do Soylocoporti, havia recebido o convite. Entrei no ônibus, já ocupado em parte por crianças e adultos, que desde o início me receberam muito bem. Marco, dirigente da Assema – Associação Espiritualista Mensageiros de Aruanda, me explicou que havia conhecido Orlando Silva, diretor do espetáculo, e integrantes do Kundun Balê numa comemoração dos cem anos da umbanda realizado pela associação em Curitiba. Orlando estudou com os jovens e crianças da comunidade diversas religiões, e a Assema auxiliou na introdução da umbanda, uma religião afro-brasileira formada do sincretismo religioso entre os três povos que, majoritariamente, formam o Brasil: europeu, africano e indígena.

O poder da cultura e da arte

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Sincretismo cultural.

Estudos espirituais, culturais, dança e música. Esses são os pilares do trabalho desenvolvido pelo educador e percussionista Orlando Silva junto às crianças e jovens da comunidade quilombola. Trabalho esse que vem colaborando para que os jovens conheçam e desenvolvam suas origens, que tenham consciência de seus direitos e saibam disputá-los, levando para todos a força e a riqueza de sua cultura.

A meu ver, a iniciativa traduz o que os estudos culturais latino-americanos apontam. Néstor García Canclini, em A socialização da arte – teoria e prática na América Latina, encara a arte não meramente como um objeto de absorção lúdica, mas enxerga sua capacidade de intervenção na realidade, forjando identidades e explorando visões múltiplas, aliadas inevitavelmente ao contexto histórico, social e cultural das obras.

Segundo Canclini, “está ocorrendo, em nosso século, uma transformação tão substancial na concepção da arte, quanto a que ocorreu no Renascimento. Nessa época, passou-se da estética clássica (canônica, artesanal, intelectualista) à concepção moderna (caracterizada pela livre invenção de formas, pela “genialidade” individual dos artistas, pela autonomia das obras e sua contemplação “desinteressada”).

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Mães de jovens da companhia se aliam à iniciativa.

Nas últimas décadas, a concepção moderna ou liberal é questionada pelas vanguardas artísticas e por críticas sócio-políticas: de acordo com as mudanças econômicas e sociais que procuram a democratização e o desenvolvimento da participação popular, novas tendências artísticas tratam de substituir o individualismo pela criação coletiva, vêem a obra não mais como o fruto excepcional de um gênio, mas como produto das condições materiais e culturais de cada sociedade, e pedem ao público, em lugar de uma contemplação irracional e passiva, sua participação criadora.”

O autor sugere que “talvez, uma das funções da arte seja, como disseram os surrealistas, manifestar no real o maravilhoso. Mas, pensamos também, que uma das tarefas básicas da arte latino-americana atual é descobrir no maravilhoso o real”.

Encanto das Três Raças

Chegamos à comunidade no final da manhã, almoçamos e fomos direto ao auditório onde daria-se a apresentação. A tarde foi de intensa movimentação – montagem do cenário, ajustes de som e luz, marcação de cena e a junção das coregrafias do Kundun com as da Assema, somando-se ainda o trabalho cênico do Grupo Mandorová, de Guarapuava.

Muitas trançinhas no cabelo, ensaios e correrias. Na hora do show, com a platéia lotada, a ansiedade imperava. Fez-se uma roda no camarim, momento no qual todo o árduo trabalho foi recordado pelo grupo e pediu-se a benção aos orixás.

O espetáculo iniciou com um canto que pede licença à terra para plantar nela a vida, que geralmente encerra os trabalhos de umbanda. Diversas entidades desta religião afro-brasileira foram homenageadas – não aquela homenagem distante, mas incorporada, resultado da busca pela compreensão das vibrações da natureza. A percursão enérgica ditava a sintonia do espetáculo, transmitindo ritmo aos corpos – negros, mulatos, mamelucos, brancos, indígenas, altos, magros, gordos, baixos, jovens, crianças e velhos – transcendendo padrões estéticos artificiais e valorizando a individualidade em sintonia com o coletivo.

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Alegria ao final do show.

Ao final do espetáculo, o auditório, lotado devido à apresentação, emanava satisfação e emoção. No palco, a energia era transbordante, desaguando em euforia e abraços consecutivos, até que artistas e público eram uma coisa só. Uma experiência intensa, autêntica, no sentido de que não é apenas um produto cultural – é o reconhecimento da história de uma gente formada por vários povos, da mistura de nuances, da valorização daquilo que somos e escolhemos ser.

Veja mais sobre a comunidade quilombola e o espetáculo nesta matéria, publicada no blog oficial do Soylocoporti. Veja também mais fotos do show e dos ensaios.

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terça-feira, 30 de junho de 2009

Encanto

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Estréia do espetáculo “Encanto das três raças”, do Instituto Afro Brasileiro Belmiro de Miranda. Guarapuava, junho de 2009.

 Encanto
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terça-feira, 30 de junho de 2009

Últimos toques

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Ensaios do espetáculo “Encanto das três raças”, do Instituto Afro Brasileiro Belmiro de Miranda. Guarapuava, junho de 2009.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Carnaval afro-açoriano

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Carnaval 2009 - Floripa - Bloco dos sujos

Florianópolis – ilha da magia, da alegria, da fantasia. Praias paradisíacas, clima de litoral, cheiro de sal e aquele jeito manezinho de encarar a vida com tranquilidade. No carnaval, fervo – todas as estradas levam à Ilha de Santa Catarina. O centro ficou lotado com carros de som – funk, samba, hip hop e todas as modas possíveis em alto e bom (ou mau) som. O bloco dos sujos tomou as ruas, fazendo surgir coelhinhas de pernas peludas, heroínas de voz grossa e Amy Winehouses com pomos de Adão à torto e à direito.

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Carnaval 2009 - Floripa, Santo Antônio de Lisboa - Maracatu Tamboritá

Em terra conhecida por suas ascedências germânicas, açorianas e italianas, a cultura afro se manifesta comprovando sua forte influência, quase uma onipresença, na cultura popular brasileira. Teve bloco de maracatu em Santo Antônio de Lisboa, no centro, na Lagoa da Conceição e até na Guarda do Embaú. Tive o imenso prazer de participar dessa catarse coletiva, com os blocos Arrasta Ilha e Tamboritá em Santo Antônio de Lisboa e uma segunda dose de Arrasta Ilha no centrinho da lagoa, precedido por um grupo de música e dança afro.

“Maracatu, maracatu, maracatu, maracatu” – o tambor canta, o sangue pulsa, a carne vibra, a pele sua. Debaixo de sol ou chuva pessoas desconhecidas se reúnem para celebrar juntas a alegria de estar vivo e poder sentir.

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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Viajeros – A lenda do ñanduti

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Baseado em um conto lido no Café Literário em Assunção, que por sua vez foi inspirado em uma lenda guarani.

Um jovem índio, apaixonado e desesperançado. Sua mãe lastima a dor de seu rebento. Ele crê que perdeu de vez a chance de passar a vida ao lado do seu amor.

A moça, demasiado bela, é cobiçada por vários rapazes. Uma anciã, com certa maldade, contou-lhe que outro fez à moça a mais linda oferenda – pulseiras e braceletes de um metal branco e brilhante, que segundo dizem, ganhou da própria lua, sua madrinha.

Em desespero, o jovem índio fugiu à floresta, queria esconder-se de seu medo, correr sua dor. Encontrou um tronco tombado, e ao tocá-lo, um lindo broto floresceu. Subiu sua vista e se defrontou com um esplendoroso tecido, delicado e brilhante.

O fogo se reascendeu em seu coração – essa seria a oferenda perfeita para sua amada, nada poderia ser mais belo! Mas nesse instante seu rival apareceu. Travou-se o combate pelo amor. A luta foi intensa. O corpo morto parecia deixar certo seu êxito. Ele estendeu sua mão para finalmente pegar sua oferenda, mas o caprichoso destino mostrou-se irredutível: o belo emaranhado de fios se desfez em baba, escorrendo por suas mãos.

O sofrimento jamais foi tão grande – não haveria outra oportunidade. Vagou entre árvores até acabarem suas forças. De volta à casa, caiu em doença; estava febril e falava coisas sem sentido. Sua mãe o acordou, foram à beira do rio. Ele contou tudo o que passara e ao final de sua história ela, com muita candura, disse-lhe: me leve lá. O jovem encontrou nova esperança no semblante de sua mãe.

Caminharam. Acharam o corpo, coberto por folhas e vermes. O tecido estava novamente lá. O índio, tomado pelo cansaço da noite anterior, dormiu sobre a relva. Sua mãe, mirando o tecido, agora ainda mais belo ao refletir a luz do sol, pegou suas linhas e foi tecendo, copiando o modelo.

Quando seu filho despertou, viu um lindo vestido nos braços de sua mãe – o mais lindo que pudera haver. Agora sua alegria era completa: teve certeza que seria feliz ao lado de sua adorada índia.

Hoje este artesanato é tradição guarani, símbolo da cultura paraguaia. O ñanduti se encontra nas feiras, ruas e casas de cultura. Ñandu é como os índios guaranis chamam a aranha; ñanduti, sua teia.

P8210095 Viajeros   A lenda do ñanduti

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Toalha em ñanduti

 

Esse texto faz parte do livro Viajeros, que foi publicado em posts nesse blog.

Veja o post anterior.

Veja o próximo.

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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Viajeros – Troca de pele

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É uma tarefa muito árdua a que me proponho: perceber e refletir culturas. A subjetividade da vida me surpreende, me assusta e, acima de tudo, me fascina. Como posso transmitir algo que só eu percebo? Como posso chamar meu ponto de vista de realidade? Quem sou eu para julgar, mesmo que nesse caso o julgamento tenha aspecto de análise?

Conhecer a dor, a luta e a força dos Sem-Terra já mudou a cor de meus olhos. Quem dirá um ano cruzando continentes?! Já fui muitas Micheles, ainda encarnarei muitas outras, até chegar a ser nenhuma. Queria apreender a alma do povo paraguaio, mas nem sei se tal coisa existe – fronteiras artificiais que separam os humanos são romantizadas e enaltecidas, mas no fim geram mais guerras que unidades.

Sei que quero conhecer pessoas, sentir o outro – quem sabe até ser o outro, descobrir terras nunca dantes desbravadas dentro de mim. Sei que há uma hegemonia parasita mundial. Acredito na união latino-americana para que tenhamos autonomia e possibilidade. Mas a revolução, aquela que sensibilizará a mesquinhez da Terra (ou terra) não se fará com armas. A verdadeira revolução se dará (ou, infelizmente, não) na consciência. As armas não acabam com o medo e o egoísmo. O auto e alter conhecimento, creio que sim.

Estou abrindo minha pele, expondo minhas entranhas – no meio de tantos questionamentos, esse é agora meu norte. Mas minha bússola é caprichosa (ou despretenciosa) e pode apontar sua seta para qualquer direção a qualquer momento.

 Viajeros   Troca de pele
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Esse texto faz parte do livro Viajeros, que foi publicado em posts nesse blog.

Veja o post anterior.

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