Parte do coletivo Soylocoporti

Olhares de (apenas) uma latino-americana

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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Filmes do <3

1. La danza de la realidad (Jodorowsky, 2013)

Entendam porque me apaixonei por esse senhorzinho doido assistindo à apresentação que ele próprio fez desse filme – nu como veio ao mundo no auge de seus 70 e tantos anos. Porque cinema é poesia <3

https://www.youtube.com/watch?v=rtrd1FewUFA

 

2. 2001: uma odisseia no espaço (Kubrick, 1968).

A 1a vez que eu vi esse filme, pra uma prova de história do cinema, eu dormi no meio do balé espacial (e é muito muito raro eu dormir em filmes). A segunda vez eu não entendi porcaria nenhuma: que que é esse monolito, esse bebê enorme no final – essa maluquice toda, meldels? Ao expressar minha ignorância no saudoso CACOS, o Augusto me explicou a magnitude do filme e o quão profundo era, o que me fez assistir de novo e de novo e novo e me apaixonar cada vez mais a cada vez que eu o vejo. Considerado por muitos o filme mais fodido de todos os tempos.

Entenda o nível da maluquice e da genialidade: https://www.youtube.com/watch?v=YbLRzabppus.

 

3. Hair (Milos Forman, 1979)

É um musical que fala do movimento hippie e contracultural nos EUA durante a guerra do Vietnã. As músicas são ótimas, tem muitas cenas divertidas e a curiosidade é que ele foi censurado no Brasil na época de seu lançamento devido à caretice da ditadura  – o que é uma amostra que, de fato, questionar os valores vigentes pode ser deveras subversivo. O filme começa assim, sente o groove: https://www.youtube.com/watch?v=EhbxI5eVnM4 (o papel que eles queimam é a convocatória do exército, e a negação dos jovens de ir à guerra foi um grande ato de desobediência civil).

Mas acho que minha cena favorita é essa: dançando na mesa do status quo. https://www.youtube.com/watch?v=-1LRD3DtFAo.

 

4. I’m not there (Todd Haynes, 2007)

É uma espécie de biografia ficcional do Bob Dylan contada por meio de 7 personagens, que representam fases da vida do artista ou aspectos marcantes do seu imaginário. Fala de um certo desencaixe, da fama, da questão racial, do folclore dos EUA, das belezas e armadilhas do amor e até da fase gospel do Dylan. Além do mais, é um filme lindo de morrer, como se fossem 7 filmes diferentes entramados em um. A trilha sonora é incrível e conta com várias novas versões para os sons do Bob e algumas originais.

Esse é um dos ~clipes~ que permeiam o filme: https://www.youtube.com/watch?v=zYgZUoaIhxA.

 

5. Waking Life (Richard Linklater, 2001)

Uma animação linda, que foi feita num processo bem inovador, baseada em filmagens. Ou seja, a parada foi primeiro rodada como um filme qualquer e depois transformada em animação. São sonhos dentro de sonhos dentro de sonhos dentro de sonhos – afinal, o que é sonho e o que é realidade? Várias discussões interessantíssimas e maluquíssimas rolam ao longo do filme, e a trilha sonora também é bem legal.

Dá uma olhada no making off de 4 min: https://www.youtube.com/watch?v=9J0MlkmtXyY.

 

6. O cheiro do ralo (Heitor Dhalia, 2006)

É um filme feito na raça, pois achar patrocínio pra um filme com esse nome não foi muito fácil, que conta com uma atuação memorável de Selton Mello. Baseado num livro sensacional do Lourenço Mutarelli, o filme fala da podridão humana, do desfacelamento das relações sociais, da solidão urbana, da coisificação da vida -  tudo isso de uma maneira criativa e deveras engraçada.

Taí o filme completo: https://www.youtube.com/watch?v=qpmkQe4RSPs.

 

7. Gaviões e passarinhos (Pasolini, 1966)

É um clássico do cinema italiano, cuja trilha ficou por conta do consagradíssimo Ennio Morricone, que trata da longa jornada da humanidade sob uma perspectiva política de esquerda – sim, o sujeito era engajado – num período de crise da esquerda na Itália. Ele usa a metáfora dos gaviões e passarinhos para falar da luta de classes, mas o faz em clima de fábula, com uma leveza difícil de alcançar quando o assunto é política.

Além de contar com os melhores créditos iniciais de todos os tempos: https://www.youtube.com/watch?v=G8d-m7tnfz8.

 

8. Edukators (Hans Weingartner, 2003)

Sobre terrorismo poético alemão. O protagonista é esse ator alemão que tá em todas, até no filme do Tarantino, e é ótimo. Alias, “Adeus, Lênin”, que tbm é com ele, é outro filmasso. E essa música linda, além de constar na trilha desse filme, tbm está em “O senhor das armas”, outro que samba na cara da sociedade: https://www.youtube.com/watch?v=x2yldoAQtZ0.

 

9. Into the Wild (Sean Penn, 2007)

Já assisti esse filme várias vezes e só agora fui saber que foi dirigido pelo Sean Penn! Além de ótimo ator, ahazô como diretor!

O filme é lindo e baseado na história real de Christopher McCandless, que largou tudo, tudo mesmo, pra ir desbravar a vida para além do roteiro programado para um jovem de classe média nos EUA. Mas ele acabou morrendo nessa ânsia de se desvencilhar de qualquer vínculo social, isolado no meio do Alaska. A partir de seu diário, Jon Krakauer escreveu um livro que, por sua vez, inspirou o filme. A trilha sonora é do Eddie Vedder e ornou bem, ó https://www.youtube.com/watch?v=32Js2Ef5Ojg.

 

10. Un buda (Diego Rafecas, 2005)

Assisti esse filme quando eu tava terminando minha viagem sabática de 1 ano pela América do Sul. Além de fazer todo sentido no momento (e ainda hoje…), é ambientado em alguns lugares pelos quais passei e até tem um cara que eu conheci em Buenas Aires fazendo um extra no filme – um dos muitos budistas carequinhas. A trama também tá relacionada com as terríveis tretas da ditadura argentina – os pais do protagonista foram levados quando ele e seu irmão eram pequenos.

Dá uma olhada no trailer: https://www.youtube.com/watch?v=AOFQEFZG3aE

 

11. Dançando no escuro (Lars von Trier, 2000)

Um filme seco – apesar de ser um musical, sem muitas frescuras cinematográficas, mas super denso – como é do estilo do Lars von Trier. A louquíssima e fofíssima protagonista é a Bjork, que canta, dança e representa, acompanhada pela sempre diva Catherine Deneuve. Em meio a uma vida super dura, a personagem interpretada por Bjork tem devaneios lúdicos e musicais. Mas é triste pacas e o  final é de morrer de chorar.

Essa é das minhas cenas favoritas: https://www.youtube.com/watch?v=62pLY5zFTtc

 

12. Viver a vida (Godard,1966)

Vocês repararam que não tem nenhuma mulher diretora nessa lista? E que na grande maioria dos filmes, além de serem os diretores, os homens também são os protagonistas? Pois é. O cinema é uma meio extremamente machista numa sociedade machista. Esse filme fala de uma linda jovem francesa, cuja beleza parece ser tudo o que os outros conseguem ver nela, de prostituição e de machismo. Um filme profundo e visualmente lindo, com uns movimentos de câmera bem bacanas e revolucionários pra época.

Essa é uma das minhas cenas preferidas – me apaixonei por essa música e por essa mulé: https://www.youtube.com/watch?v=wQIWmfgCoGI

E essa me conquistou pelo debate filosófico: https://www.youtube.com/watch?v=pmVHKqOA8C4 “Por que é preciso falar sempre?”

 

Isso é tudo, pessoal.

 

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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Índice: Viajeros – nos fluxos da América do Sul

fluxos.mi .cerrado Índice: Viajeros   nos fluxos da América do Sul

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Introdução

Questão de desordem

A vagabundagem em extinção

Borboletas no estômago

Pobre (e rico) Paraguai

Troca de pele

Malabares

Ruínas e “progresso”

Patriotismo multinacional

A lenda do ñanduti

Amém

O país da informalidade

Haciendo dedo

Vida de mochileiro

Admirável mundo novo

Homem primata

As várias faces de Buenos Aires

Mudança de tempo

Considerações finais sobre uma nação

El gaucho y el tango

Uma espiadinha no Chile

De Cochabamba à cidade mais alta do mundo

Sabedorias ancestrais, Oruro e deserto de sal

Entre passeatas e cachoeiras

Bolívia: um outro mundo

Peru andino

Um circo armado pra me convencer

As ruínas de Ollantaytambo

De volta ao Brasil

Vilarejo

Percepções culturais

No caminho de volta ao lar

Aquela tal malandragem não existe mais?

 

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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Travessia

DSC 9188 1024x680 Travessia

Estava eu na barca pra Superagui, 2h30 de viagem desde Paranaguá se o dia estiver bom, como estava – aquele céu azulão com o sol reinando orgulhoso no meio.

Muitos moradores da ilha, poucos turistas – e lá estava eu com minha câmera fotográfica, dessas que intimidam as pessoas, não deixando dúvidas de em qual grupo eu me encaixava. Sentei sozinha, num banco no meio do barco. Na minha frente, de costas para o mar, havia uma senhorinha bem velhinha, lá pelos 80 anos. Magrinha, cabelo quase todo branquinho, pequena, aparentemente cega de um olho. Usava roupas simples, uma blusa rosa, uma saia de algodão vermelha que acabava no meio da canela. A janela do barco fazia um moldura na qual ela ficava à esquerda e outra senhora, à direita, uma de cada lado.

Durante a viagem ela veio se sentar ao meu lado – deve ter cansado de ficar torcendo a coluna para olhar a paisagem. Estava bastante quente e em algum momento senti que ela sentou bem perto de mim. Bem perto mesmo. Eu me afastei. Ela parecia não se importar, ou melhor, nem perceber, e, por mais que eu me esquivasse, ela se aproximava de novo. Minha pequena batalha pareceu inútil e larguei mão – um pouco de calor a mais não ia fazer grande diferença. E a coisa foi indo desse jeito até que no final da viagem ela estava com a mão em cima da minha perna – e ainda parecia nem perceber. Tinha uma naturalidade no seu gesto, uma autoridade doce no toque daquela figura quase mítica que pousava a mão nessa moça da cidade desacostumada ao afeto espontâneo, ao toque “estranho”.

Quando o barco atracou ela se apoiou em mim para tentar se levantar. Tentou duas vezes e não conseguiu, mesmo com sua bengala que pressionava o chão e sua mão que empurrava minha coxa. Percebi que ela era ainda mais frágil do que eu pensava. Apoiei suas costas, dei um breve empurrão, e ela foi.

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segunda-feira, 25 de março de 2013

dérive

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o louco dérive

O ato de dérive ou “andar a esmo” foi concebido como um exercício para deliberadamente revolucionar o dia-a-dia – uma espécie de vagar sem rumo através das ruas da cidade, um nomadismo visionário urbano que envolve uma abertura para a “cultura como natureza” (se compreendi a ideia corretamente) – que, por sua própria duração, inculcaria nos nômades uma propensão a examinar o maravilhoso; talvez nem sempre em sua forma benigna, mas, esperamos, sempre geradora de insights – seja através da arquitetura, do erótico, da aventura, bebidas & drogas, perigo, inspiração, o que quer que seja – da intensidade de percepções & experiências não mediadas.

O termo paralelo no sufismo seria “jornada para os horizontes distantes”, ou simplesmente “jornada”, um exercício espiritual que combina as energias urbanas & nômades do Islã numa única trajetória, algumas vezes chamada de “Caravana do Verão”. Os dervixes fazem votos de viajar num determinado ritmo, nunca passando de mais do que sete ou quarenta noites numa mesma cidade, aceitando o que quer que aconteça, dirigindo-se para onde quer que os sinais & as coincidências, ou simplesmente os caprichos, os levem, movendo-se de um ponto de poder para outro, conscientes da “geografia sagrada”, do itinerário como significado, da topologia como simbologia.

Aqui outra constelação: Ibn Khaldur, Pé na Estrada (tanto o de Jack Kerouac quanto o de Jack London), a forma do romance picaresco em geral, o barão de Münchhausen, wanderjahr, Marco Polo, meninos numa floresta de verão suburbana, cavaleiros do rei Arthur procurando barulho, veados à caça de meninos, perambular de bar em bar com Melville, Poe, Baudelaire – ou fazer canoagem com Thoreau em Maine… a viagem como a antítese do turismo, espaço em vez de tempo.

- Hakim Bey em “Caos: terrorismo poético e outros crimes exemplares”. Grifos meus.

Novos Baianos, Mano Chao, Sidarta, Hesse, Kerouac, Thoreau, Che Guevara. Dervixes. Malucos de BR. Malandragem, vagabundagem evolutiva. A arte de se perder pra se encontrar, de romper com todos os papeis, de tudo o que se espera socialmente de um indivíduo para se descobrir – ou se criar. Ser quem você quiser, transpor a zona de conforto, aprender a pedir, saber em quem confiar, (re)encontrar essa luz tão preciosa abafada pelas empoeiradas cortinas do cotidiano – a intuição. Na construção de um ritmo próprio as hierarquias se confundem. Descobre-se o que realmente tem valor e que o tempo, sendo uma convenção, não existe. Invente o seu. Se permita, mas tenha olhos de ver e coração de ouvir. Deixe e receba um tanto. Vai, caminhante. É questão de desordem.

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Caos

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caos Caos
Encontrei essa imagem aqui.

Das coincidências da vida, dos fluxos que ela vai tomando – assim que cheguei ao Hakim Bey e seu Caos – Terrorismo Poético e outros crimes exemplares. Segundo a Wikipédia, “Hakim Bey é o pseudônimo de Peter Lamborn Wilson historiador, escritor e poeta, pesquisador do Sufismo bem como da organização social dos Piratas do século XVII [também publiquei sobre os piratas analógicos e digitais aqui], teórico libertário cujos escritos causaram grande impacto no movimento anarquista das últimas décadas do século XX e início do século XXI”.

E eu, que vivo o dilema entre postura construtiva versus rebeldia e desobediência civil, me deparo com o valor da destrutividade. Não seria nem destrutividade o termo, afinal

“O caos é anterior a todos os princípios de ordem & entropia, não é nem um deus nem uma larva, seu desejos primais englobam & definem toda coreografia possível, todos éteres & flogísticos sem sentido algum: suas máscaras, como nuvens, são cristalizações da sua própria ausência de rosto.

Tudo na natureza, inclusive a consciência, é perfeitamente real: não há absolutamente nada com o que se preocupar. As correntes da Lei não foram apenas quebradas, elas nunca existiram. Demônios nunca vigiaram as estrelas, o Império nunca começou, Eros nunca deixou a barba crescer.

Não. Ouça, foi isso que aconteceu: eles mentiram, venderam-lhe idéias de bem & mal, infundiram-lhe a desconfiança de seu próprio corpo & a vergonha pela sua condição de profeta do caos, inventaram palavras de nojo para seu amor molecular, hipnotizaram-no com a falta de atenção, entediaram-no com a civilização & todas as suas emoções mesquinhas.

(…)

Aqui estamos, engatinhando pelas frestas entres as paredes da Igreja, do Estado, da Escola & da Empresa, todos os monolitos paranóicos. Arrancados da tribo pela nostalgia selvagem, escavamos em busca de mundos perdidos, bombas imaginárias.”

 

Me volto ao Caos.

“(…)

Caos, o Abismo, é anterior a tudo, depois vem a Terra/Gaia, & então o Desejo/Eros. Desses três surgiram dois pares – Érebo & Noite ancestral, Éter & Luz diurna.

Nem Ser, nem Não-ser
Nem ar, nem terra, nem espaço:
o que estava escondido? onde? sob a proteção de quem?
O que era a água, profunda, insondável?
Nem morte, nem imortalidade, dia ou noite…
mas o UNO soprado por si mesmo, sem vento.
Nada mais. Escuridão envolvendo escuridão,
água não-manifesta.

O UNO, escondido pelo vazio,
sentiu a geração do calor, tornou-se ser
na forma do Desejo, primeira semente da Mente…

O que estava por cima e o que, por baixo?
Existiam semeadores, existiam poderes:
energia embaixo, impulso em cima.
Mas quem pode ter certeza?

Rig Veda

(…)

O Caos nunca morreu.”

 

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domingo, 23 de dezembro de 2012

Libertália: lutar até a morte

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“Que fazer quando o sistema, em seu conjunto – financeiro, econômico, político e ecológico – dá evidentes sinais que não funciona? Seguir tolerando mentiras para viver cinicamente a vidinha confortável e supostamente segura? Ou será possível ousar?¨

Pirataria,  anarquismo, Matrix, Indignados, tudo no mesmo balaio. É desses mosaicos de utopias que se faz a mudança. Comecei a ler o Copyfight – Pirataria & Cultura Livre, um livro feito colaborativamente e distribuído de forma livre (acessando o link você pode baixar ou ler online),  e chego a esse artigo que muito traduz dos anseios e das conexões que têm sacudido o mundo:

“Pirata significa também que está ‘fora do lugar’. Identifica os que se opõem à sociedade em suas práticas sociais, especialmente no campo da cultura, da arte, da política e da informação.

Os piratas digitais hoje desafiam o sistema como no passado quando eram o maior obstáculo ao capitalismo mercante-escravagista. Usam os meios que dispõem para desferir golpes no sistema. E se misturam à massa de descontentes anônimos, como faziam os do passado, que contavam com informações e apoio do povo da costa. Essa é a dualidade dos piratas: são o ‘mal’ do sistema, ao mesmo tempo em que sua redenção.”

Avante, marujos!

 

—————————- Sonho Pirata ou Realidade 2.0? —————————-

Artigo de Jorge Machado que integra o recém-lançado livro Copyfight – Pirataria & Cultura Livre.

 

1. O sonho

No final do Século XVII, quando o capitão Misson e o ex-padre dominicano Caraciolli acompanhados por centenas de piratas decidiram se estabelecer na costa ocidental de Madagascar, as primeiras medidas que tomaram foram renunciar suas nacionalidades, abolir a propriedade privada e acabar com a circulação de dinheiro – os recursos passaram a ser reunidos em um fundo comum. »Surgia Libertália«. Não se sabe se foi uma comunidade, uma aldeia ou mesmo uma mera utopia. Sua fama circulou pelos oceanos, de barco a barco, de costa a costa pelas bocas do povo do mar, do povo da areia e do povo da floresta.

Localizada em um paraíso tropical e habitada por gente amiga, Libertália era também perfeita por estar próxima às principais rotas marítimas. Para Daniel Dafoe* (1724), testemunha da “era de ouro da pirataria”, Libertália foi a maior expressão da Utopia pirata por uma terra livre. Onde embarcações sem bandeira podiam atracar, rincão onde pobres, escravos libertos, indígenas e perseguidos viviam em paz. Lá não havia lugar de privilégios de nobreza, inquisição religiosa, exploração colonial ou comerciantes de escravos. Era o único local onde se ostentava em terra firme a bandeira preto e branca, conhecida como “jolly roger” – cuja origem vem do francês jolie rouge (“bela vermelha”). Seu uso significava a disposição de uma embarcação lutar até a morte. Leia o texto completo »

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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

ermitando

minha nossa senhora dos ranzinzas incompreendidos,

livrai-me dos telefones e dos relógios.

amém.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A vagabundagem em extinção

o cego tocador de sanfona. brueghel A vagabundagem em extinção
“O cego tocador de sanfona”, Brueghel

O sonho original do vagabundo nunca foi definido melhor do que nesse adorável poeminha citado por Dwight Goddard em sua Bíblia budista:

Oh, por esse raro acontecimento
Eu alegremente daria dez mil peças de ouro!
Um chapéu na cabeça, uma trouxa às costas,
E minha companhia, a brisa refrescante e a lua cheia.

Na América houve sempre (…) uma idéia especial e definida da liberdade que significa andar a pé. (…) Acampar é considerado um esporte saudável para escoteiros, mas é crime para homens maduros que fizeram disso sua vocação. – A pobreza é tida como virtude entre os monges das nações civilizadas – na América você passa a noite no xadrez se for pego desprevenido, sem seus trocados para vagabundear (da última vez que ouvi falar nisso eram quinze centavos, parceiro – quanto é agora?).

No tempo de Brueghel, as crianças dançavam ao redor do vagabundo, ele vestia roupas imensas e rotas e olhava sempre em frente, indiferente às crianças, e as famílias não se importavam que as crianças brincassem com o vagabundo, era algo normal. – Mas hoje as mães abraçam os filhos com força quando um vagabundo cruza a cidade por causa daquilo em que os jornais o transformaram – o estuprador, o estrangulador, o comedor de criancinhas. – Fique longe de desconhecidos, eles lhe darão doces envenenados. Embora o vagabundo de Brueghel e o vagabundo de hoje sejam o mesmo, as crianças são diferentes. – Onde se meteu o vagabundo chaplinesco? O antigo vagabundo da Divina Comédia? O vagabundo é Virgílio, ele foi o precursor. – O vagabundo penetra no mundo infantil (como no famoso quadro de Brueghel onde um enorme vagabundo cruza solenemente pela vila de tina de lavar roupa e os cães latem e as crianças riem, St. Pied Piper), mas o mundo hoje é adulto, não é mais um mundo infantil. – O vagabundo hoje é forçado a agir furtivamente – todos ficam assistindo aos heróis policiais na TV.

Trecho do Viajante solitário, de Jack Kerouac

Tava lendo meu TCC esses dias, o livro-reportagem Viajeros. Ele contava com uma parte teórica, e esse trecho do Viajante Solitário constava nela. Vai ser incorporado à nova versão do livro. Será que um dia sai??

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terça-feira, 19 de junho de 2012

Ocupação indígena Aldeia Maracanã convoca manifestação durante a Rio +20

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A manifestação contra tomada do espaço da ocupação para construção de empreendimento para a Copa será nesta quinta-feira, 21

arton6328 Ocupação indígena Aldeia Maracanã convoca manifestação durante a Rio +20
Zahy concedeu entrevista nessa segunda (18) à Rádio Cúpula, que pode ser acompanhada online ou ao vivo no Teritório do Futuro (em frente ao Museu de Arte Moderna), onde ocorrem parte das atividades da Cúpula dos Povos.

“Vamos lutar até o fim, se precisarmos tombar, assim vai ser¨, diz Zahy Guajajara, com serenidade e determinação impressionantes. Ela faz parte da ocupação Aldeia Maracanã, que há seis anos resiste na antiga sede do Serviço de Proteção ao Índio. Hoje a ocupação está ameaçada pelo estado, que pretende construir um empreendimento para a Copa do Mundo no local.

Zahy conclama os povos indígenas e apoiadores de suas causas a se unirem numa manifestação pacífica em denúncia às inúmeras violações que os povos originários do nosso território têm sofrido. A manifestação será nessa quinta (21) às 17h30 no estádio do Maracanã.

Assista o vídeo-denúncia e confira abaixo o Manifesto da Aldeia Maracanã.

Se você recebeu esta carta, certamente é um indígena legítimo ou um verdadeiro apoiador das causas indígenas. É com muita insatisfação com o descaso público que trazemos a você mais uma de muitas lutas dos nossos irmãos indígenas, luta esta em que estou envolvida de corpo e alma.

Há aproximadamente seis anos, o antigo Museu do Índio foi ocupado por uma frente de resistência envolvendo diversas etnias do nosso extenso país. Esse grupo de parentes, do qual faço parte, tem entre seus propósitos resistir contra os intentos do governo de construir, no prédio fundado por Darcy Ribeiro, um shopping ou estacionamento para o estádio do Maracanã, que fica ao lado. O prédio, que já se encontra em condições deploráveis, foi berço do antigo SPI, Serviço de Proteção ao Índio, que deu origem à atual e ineficiente FUNAI, além de ter abrigado as primeiras instalações do Museu do Índio, que agora está localizada na Rua das Palmeiras, 55, no bairro de Botafogo.

Parentes, é com muita dor que pedimos o seu apoio, pois aquele chão que outrora foi motivo de algum orgulho, hoje encontra-se na iminência de ser deserdado de todas as nossas futuras gerações. A terra indígena da mata é invadida e desrespeitada todos os dias e agora esse governo corrupto, sem raízes e vazio quer tomar alguns poucos metros de terra indígena no coração urbano da cidade do Rio de Janeiro. Não vamos permitir que roubem de nós um chão conquistado com tanta luta! Nós, os integrantes deste movimento de ocupação e resistência, pedimos o apoio de todos os parentes para criarmos o Centro Cultural Indígena Aldeia Maracanã, que abrigará todas as etnias, línguas e culturas e será um ponto de encontro entre todas as lideranças indígenas do nosso país. Para que a cada dia as culturas e a população indígena seja valorizada, respeitada e inserida na sociedade civil e política.

Queremos convidar os parentes para uma manifestação pacífica ao redor do estádio do Maracanã, nesta quinta-feira (21.06) às 17h30. Uma luta sem violência, uma guerra sem morte e uma vitória que possa ser assistida pelas lentes da imprensa nacional e internacional. Os olhos do mundo estão voltados para a cidade do Rio de Janeiro. Não vamos esconder nossas culturas e sonhos ficando somente sentados em cadeiras de plástico debaixo de tendas, ouvindo apenas palavras. Vamos transformar as palavras em atitudes e os sonhos em realidade. O estádio mais famoso do Brasil e do mundo tem um nome indígena, Maracanã. Parentes, podem ter certeza que a maior parte dos cariocas nem sabe disso. O nome Maracanã vem do tupi-guarani, da palavra maracá. Queremos formar uma corrente em volta de todo o estádio com todos os parentes tocando maracá e cantando e dançando seus rituais. Vamos fazer o maior círculo indígena do mundo, chamando a atenção da sociedade civil para os descasos das autoridades para com a memória histórica do trajeto indígena na cidade que abriga este mega evento chamado Rio +20.

Zahy Guajajara, integrante da ocupação indígena Aldeia Maracanã

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mercado de Dakar

Essas foram tiradas com meu xodó, minha Nikon FM2, no mercado de Dakar. Old school, en película.

Fevereiro de 2011.

- Clique nas fotos para ver em modo de slide.

19060002 Mercado de Dakar

19060007 Mercado de Dakar

19060008 Mercado de Dakar

19060009 Mercado de Dakar

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